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Lula critica 'inveja' de Trump e anuncia nova estratégia para minerais raros

Presidente cria conselho ligado ao Planalto, promete ampliar a estrutura de pesquisa e diz que o Brasil tem potencial para ganhar espaço no mercado global de terras raras

PorBrasília
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva • Ricardo Stuckert/PR

Diante da crescente importância dos minerais críticos e estratégicos para a política industrial do país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez uma reunião com ministros para definir a estratégia do governo para o setor.  

A discussão ganhou força nos últimos meses diante da corrida global por minerais essenciais para a fabricação de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos e outras tecnologias ligadas à transição energética. Nesse cenário, o governo pretende consolidar uma política nacional para o setor.

Ao discursar, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que saiu do encontro impressionado com o nível de conhecimento técnico apresentado pela equipe do governo. Segundo o presidente, antes da discussão ele acreditava que o Brasil ainda tinha pouca capacidade na área “Eu sinceramente achei que a gente era quase que analfabeto nesse assunto e nessa reunião ficou claro o potencial de conhecimento que o Brasil tem em todas essas coisas que parecem uma coisa só da China, obcecada a ser a única do mundo e da inveja do Trump de querer tomar o conhecimento da China”, disse. 

Ainda na reunião, Lula defendeu uma atuação mais ativa do governo para desenvolver a cadeia de minerais críticos e terras raras no Brasil. O presidente afirmou que o país já reúne conhecimento técnico, profissionais qualificados, empresas e instituições de pesquisa capazes de impulsionar o setor, mas argumentou que falta uma decisão política para transformar esse potencial em uma estratégia nacional. 

Lula ainda disse que avanços importantes da economia brasileira tiveram participação do Estado e criticou a percepção de que a inovação depende apenas de outros países. “Tudo que é inovação as pessoas acham que tem que vir dos Estados Unidos, da América do Norte, que é uma ironia aqui no Brasil, a elite é muito americanizada, mas a agricultura depende do fertilizante russo e o comprador depende do povo chinês”, declarou. 

O presidente também afirmou que o governo pretende fortalecer a estrutura de pesquisa e inovação voltada aos minerais críticos e terras raras. Será criado um conselho ligado diretamente à Presidência da República para coordenar a política para o setor.

A discussão ganhou novo impulso com a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do projeto que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Agora, a proposta depende da análise do Senado, onde chega em meio ao desgaste na relação entre o governo e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre.

O texto aprovado pelos deputados amplia o poder de atuação do governo sobre o setor de minerais críticos e estratégicos. Apesar da intenção de fortalecer a indústria nacional, o próprio governo reconhece que o debate vai além da simples exigência de beneficiamento ou processamento dos minerais no Brasil.

A avaliação é de que a viabilidade econômica varia de acordo com cada mineral e depende de fatores como a tecnologia disponível, o tamanho do mercado consumidor, a escala de produção, a competitividade internacional e o papel que o país pode ocupar nas cadeias globais de valor.

O desafio do governo é encontrar um modelo que incentive a industrialização e a agregação de valor no país sem comprometer a competitividade do setor nem afastar investimentos.

Por, Repórter

João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.