Banco enfrentam inadimplência em cenário de juros altos
Juros altos e endividamento crescente afetam setor bancário, mas especialistas veem oportunidades para investidores

O aumento da inadimplência no Brasil tem preocupado o mercado financeiro, especialmente após a divulgação dos resultados do Santander Brasil, que vieram abaixo das expectativas e provocaram forte reação nas ações do banco. O movimento é acompanhado de perto por investidores, diante do impacto dos juros elevados sobre a capacidade de pagamento de consumidores e empresas e, consequentemente, sobre o desempenho das instituições financeiras.
Com o crédito mais caro, cresce o número de atrasos e calotes. Essa situação obriga os bancos a reforçarem as provisões para perdas com devedores duvidosos, o que, por sua vez, reduz a rentabilidade das instituições.
De acordo com Marilia Fontes, apresentadora do Resenha do Dinheiro, da CNN Brasil, o mercado tem sido cada vez mais seletivo na análise dos resultados do setor bancário.
"Os investidores e o mercado estão diferenciando os bancos que conseguem entregar bons resultados mesmo em um cenário de juros altos daqueles que enfrentam mais dificuldades para administrar esse aumento da inadimplência", observa Marilia.
Segundo ela, a leitura dos investidores vai além dos números de um único trimestre e considera a capacidade de cada instituição de atravessar um período prolongado de crédito restritivo.
A alta inadimplência é consequência de um ambiente econômico marcado por juros reais elevados, que afetam tanto pessoas físicas quanto empresas, avalia Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb.
"O grande desafio é uma bola de neve que cresce na economia brasileira e isso aumenta a dificuldade de famílias e empresas honrarem suas dívidas. O aumento dos pedidos de recuperação extrajudicial e da inadimplência são sintomas desse mesmo cenário", destaca.
Embora os resultados mais fracos possam pressionar as ações de algumas instituições financeiras, a apresentadora ressalta que isso não significa, necessariamente, um aumento do risco para quem investe em produtos como CDBs.
"Não significa que o Santander seja um banco arriscado ou que o investidor evite seus CDBs. Tanto que, poucos dias depois da divulgação do resultado, o Santander global anunciou a intenção de comprar ações do Santander Brasil com prêmio sobre o preço de mercado, o que foi interpretado como um sinal de confiança de que essa piora é passageira", afirma Fontes.
Ainda assim, ela reforça que a análise de crédito continua sendo um passo importante antes de investir em títulos emitidos por instituições financeiras.
"Quando o investidor escolhe um CDB, por exemplo, é importante avaliar a qualidade de crédito da instituição emissora e não apenas a rentabilidade oferecida", complementa.
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