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Alavancagem recorde na Bolsa dos EUA acende alerta no mercado

Volume de recursos tomados por investidores para ampliar posições atingiu níveis recordes, reacendendo o debate sobre o risco de uma correção

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Wall Street vive momento de alavancagem
Wall Street vive momento de alavancagem • Aditya Vyas | Unsplash

O volume de recursos tomados por investidores para ampliar posições na bolsa dos Estados Unidos atingiu níveis recordes, reacendendo o debate sobre o risco de uma correção nos mercados e investimentos. Historicamente, períodos de forte aumento da alavancagem costumam coincidir com momentos de maior otimismo dos investidores e, em alguns casos, anteceder grandes quedas das bolsas.

De acordo com Bernardo Pascowitch, apresentador da Resenha do Dinheiro, o crescimento da chamada dívida em margem — quando investidores tomam dinheiro emprestado para investir — merece atenção por repetir um comportamento observado antes de outras crises financeiras.

“Quando analisamos a dívida em margem ao lado do desempenho do S&P 500, existe uma correlação muito forte. Antes da bolha das empresas de tecnologia, em 2000, da crise financeira de 2008 e da correção de 2022, houve um forte aumento da alavancagem. Agora, estamos novamente em um recorde histórico de endividamento dos investidores, enquanto a bolsa continua renovando máximas”, observa Pascowitch.

Esse movimento costuma ser alimentado pelo próprio ciclo de alta do mercado, avalia Marilia Fontes, economista e sócia-fundadora da Nord Investimentos.

“Se o S&P 500 sobe, mais investidores ganham confiança para pegar dinheiro emprestado e aumentar suas posições. Em momentos de crise acontece o contrário: as pessoas evitam se alavancar. Já durante um rali prolongado, a percepção de risco diminui e o apetite por novas apostas aumenta”, explica a economista.

Outro fator que pode contribuir para esse cenário é a flexibilização das regras para operações de day trade nos Estados Unidos. “Com o fim da exigência de um patrimônio mínimo de US$ 25 mil para determinadas operações de day trade, o investidor comum passou a ter mais facilidade para negociar com frequência. Isso pode aumentar ainda mais o uso de alavancagem no mercado americano”, diz Thiago Godoy, educador financeiro.

Avanço da inteligência artificial (IA)

O avanço da inteligência artificial (IA) tem sido um dos principais motores da valorização das ações americanas, alimentando um ambiente de confiança entre investidores. Ao mesmo tempo, a alavancagem elevada também funciona como um importante indicador do comportamento dos investidores.

“Quando o investidor passa a acreditar que a tendência de alta vai continuar indefinidamente, ele entra em uma fase de euforia e aumenta sua exposição ao risco. Esse excesso de confiança costuma ser um dos sinais mais importantes acompanhados pelo mercado”, explica Marilia.

Segundo a economista, movimentos semelhantes foram observados antes da crise financeira de 2008, quando o excesso de crédito e de alavancagem contribuiu para ampliar os impactos da queda dos mercados.

“Na crise de subprime, o aumento do crédito e da alavancagem alimentou um ciclo de euforia que terminou em uma forte correção. Embora os cenários sejam diferentes, esse histórico mostra por que o mercado acompanha de perto esse tipo de indicador”, acrescenta a economista.

Os especialistas citados na matéria, Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, e Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb, são apresentadores da "Resenha do Dinheiro". O programa, realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.

A "Resenha do Dinheiro" vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.

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