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Após liquidação da Sefer, especialista vê BC apertando regulação de fintechs

Medida foi motivada por comprometimento da situação econômica da instituição e ligação com o caso Banco Master, que segue em investigação

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Banco Central alegou comprometimento da situação econômico-financeira da instituição líder do Conglomerado
Sede do Banco Central, em Brasília • Antonio Cruz/Agência Brasil

O Banco Central (BC) decretou, nesta sexta-feira (26), a liquidação extrajudicial da Sefer Investimentos DTVM, distribuidora de São Paulo. A medida foi motivada pelo comprometimento da situação econômica e financeira da instituição e violações às normas legais, o que representaria um risco anormal ao mercado.

Como parte do processo de liquidação, o BC determinou a indisponibilidade dos bens de mais de 12 administradores e ex-administradores que integram o conselho da empresa. Outras quatro empresas identificadas como controladoras da Sefer também tiveram seus bens tornados indisponíveis.

A principal suspeita é que o dono da instituição, Benjamin Botelho de Almeida, teria atuado como operador financeiro de Daniel Vorcaro, desempenhando um papel relevante na teia de compra e venda de títulos considerados “podres”.

A Sefer já havia sido alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes relacionadas ao Banco Master. A distribuidora foi procurada para comentar o assunto, mas não obteve resposta até o momento da publicação.

Em entrevista à CNN Money, o professor de Economia da Ibmec-RJ, José Ronaldo Souza, avaliou que a medida se insere em um contexto mais amplo de revisão dos impactos do caso Master no sistema financeiro brasileiro.

“A credibilidade fica abalada, mas é um processo necessário justamente pelos problemas que ocorreram”, afirmou o professor. Segundo ele, a Sefer é uma gestora pequena e o caso não deve ter grandes repercussões sistêmicas.

Desdobramentos do Master

“O Banco Central tem que tomar esse tipo de atitude para continuar essa operação de revisão de até onde a operação do Banco Master atingiu”, acrescentou Souza. Ele também destacou que os desdobramentos do caso Master revelaram uma rede mais extensa do que se imaginava inicialmente.

“É realmente difícil saber exatamente até onde vai a teia dos créditos podres que foram distribuídos pelo Banco Master”, disse.

Ainda assim, o especialista considerou que “a questão maior já passou” e que os próximos desdobramentos devem ser de menor expressão.

Para Souza, o sistema financeiro brasileiro permanece sólido e os eventos recentes não colocam em xeque sua confiabilidade. Ele explicou que a expansão das fintechs foi inicialmente acompanhada de uma regulamentação mais frágil, pensada para estimular a concorrência.

“Primeiro uma regulação muito frágil para estimular a concorrência e agora, naturalmente, um aperto nessa regulação para evitar os exageros que acabaram ocorrendo”, analisou.

Sobre a forma como o Banco Central agiu — decretando a liquidação de maneira repentina —, o especialista considerou a postura adequada. “Muitas vezes você age de forma rápida para estancar e minimizar o dano”, disse, acrescentando que “pegar de surpresa pode ser bom para esse fim também”.

Ele acredita que a decisão tenha sido precedida de uma avaliação interna sobre a melhor forma de abordar a gravidade do que foi observado na instituição.

Para investidores, Souza recomendou buscar gestoras com histórico confiável, compreender o tipo de ativo que compõe as carteiras dos fundos e, quando necessário, recorrer a profissionais qualificados. “A questão não é o instrumento, a questão é o tipo de ativo que o fundo compra”, concluiu.

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