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Impacto das eleições no mercado ainda não supera o do cenário internacional

Para economistas, cenário de volatilidade deve aumentar nos próximos meses com a aproximação das campanhas no Brasil

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Diogo Gonçalves, Especialista em finanças, dá sobre investimento na bolsa de valores
Economistas comentam a resposta do mercado brasileiro às tensões internacionais e à disputa política doméstica • Divulgação / Pixabay

A proximidade da disputa presidencial de 2026 tem influenciado o ânimo dos investidores, gerando uma volatilidade perceptível nos preços dos ativos brasileiros. Um momento marcante dessa instabilidade ocorreu em dezembro de 2025, quando a bolsa de São Paulo apresentou uma queda superior a 4% após a notícia de que o senador Flávio Bolsonaro (PL) seria o candidato da oposição contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

 

Novas oscilações negativas foram registradas em maio de 2026, com o Ibovespa recuando mais de 2%. Esse movimento foi motivado por reportagens sobre supostas negociações financeiras entre o senador e Daniel Vorcaro para a produção de um filme sobre a vida de Jair Bolsonaro (PL).

 

Apesar desses episódios, analistas indicam que o contexto geopolítico externo, especialmente as tensões entre Estados Unidos e Irã, ainda atua como o principal condutor do mercado, deixando o cenário eleitoral em segundo plano por enquanto. 

 

Entretanto, a saída de capital estrangeiro da B3 já é sentida, com retiradas que somaram mais de R$ 9,64 bilhões apenas no começo de maio, o maior volume de saída parcial desde abril de 2024.

 

Esse fluxo de venda constante tem pressionado o Ibovespa, que passou a operar na casa dos 173 mil pontos. Para os meses seguintes, a previsão é de maior volatilidade no câmbio e na bolsa, à medida que as propostas econômicas dos candidatos e as questões fiscais domésticas ganhem mais relevância.

 

"O investidor estrangeiro tem tirado dinheiro da bolsa todos os dias desde a metade do mês passado. Isso tem feito o Ibovespa recuar para a casa dos 173 mil pontos e em alguns dias negociando até abaixo desse patamar. Estamos vendo um fluxo vendedor forte no mercado brasileiro", afirmou o economista e especialista em investimentos Danilo Coelho ao CNN Money.

 

Previsão de volatilidade

 

Para a economista da Oz Câmbio, Raissa Florence, o período eleitoral que se avizinha deve começar a ter mais efeito no mercado a partir da chegada do segundo semestre.

 

"O período eleitoral tende a adicionar mais tensão a um mercado que já opera sob pressão, ampliando a volatilidade nos próximos meses", afirma Florence.

 

O debate sobre questões fiscais durante as campanhas é apontado pela economista como um dos pontos de maior atenção para os operadores financeiros.

 

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