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Endividamento das famílias brasileiras bate novo recorde em julho, diz CNC

Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostra que percentual de endividados voltaram a crescer

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Endividamento das famílias atinge recorde histórico no Brasil
Endividamento das famílias atinge recorde histórico no Brasil • MArcello Casal Jr/Agência Bras

O percentual de famílias brasileiras com dívidas voltou a crescer em julho, mesmo com três meses do programa Desenrola 2.0, criado pelo governo federal para tentar reduzir as taxas de endividamento. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgados nesta quinta-feira (6), o percentual de endividados cresceu para 82% no mês passado.

O resultado representa um avanço de 0,4 ponto percentual frente ao mês de junho, e de 3,5 pontos percentuais na comparação com julho de 2025 (78,5%). Esse foi o sexto mês seguido com a taxa atingindo a máxima na série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).

Apesar da piora no endividamento, a taxa de inadimplência, quanto a pessoa tem contas a pagar em atraso, recuou de 29,9% em junho para 20,8% em julho, nível inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior (30%). Porém, segundo a CNC, o aumento do percentual de endividados e do comprometimento de renda preocupa.

Para José Roberto Tadros, presidente da CNC, seis meses seguidos com o endividamento em níveis recordes têm impactos que são sentidos a curto e médio prazo. “Vemos sinais positivos de resiliência, seja pelo pagamento das dívidas com o programa Desenrola, seja com a massa de rendimentos e ocupação aumentando; porém, os números mostram que é preciso avançar em medidas que aliviam o bolso do trabalhador e, consequentemente, estimulam uma melhora do setor produtivo”, declarou.

O percentual de famílias que têm mais de 50% dos rendimentos mensais comprometidos com dívidas subiu para 19% em julho, atingindo o maior nível desde março deste ano. Em média, os consumidores endividados estão vinculando 29,5% da sua renda mensal para honrar compromissos com credores.

Taxa Selic

Para o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, a redução da taxa básica de juros, que nesta quarta-feira (5) caiu de 14,25% ao ano para 14% com o corte do Banco Central, é um passo importante para melhorar gradualmente as condições de crédito. Contudo, o especialista destaca que os efeitos não serão imediatos.

“O elevado comprometimento da renda mostra que a recuperação da capacidade de consumo das famílias será gradual. A continuidade do processo de flexibilização monetária, condicionada ao comportamento da inflação, poderá ajudar a aliviar o orçamento doméstico e reduzir a pressão financeira principalmente sobre as famílias de menor renda”, explicou.

A CNC ainda aponta indicadores favoráveis no mês de julho. O tempo médio de atraso das contas registrou queda pelo terceiro mês consecutivo, caindo para 64,6 dias - o menor patamar verificado desde dezembro de 2025 (64,3 dias).

Adicionalmente, a fatia de inadimplentes com atrasos superiores a 90 dias recuou para 48,5%, menor proporção desde agosto de 2025, fator positivo por atenuar o peso dos juros recorrentes.

Piora é desproporcional com população mais pobre

A pesquisa ainda revela uma assimetria no comportamento do crédito no país. Enquanto a inadimplência recuou em todos os estratos sociais com ganhos acima de três salários mínimos entre junho e julho, a população de menor renda concentrou a piora nos indicadores de atraso.

Entre as famílias que recebem até três salários mínimos, a proporção de endividados subiu para 84,9% em julho (ante 84,7% em junho e 81,2% em julho de 2025), maior do que o nível médio e recorde. Esse grupo foi o único a registrar aumento do percentual de contas em atraso no mês a mês, avançando de 38,3% para 38,5% (+0,2 p.p. no mês e +0,5 p.p. no ano).

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

 

 

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