Durigan cobra reação contra juros altos: 'São um empecilho às pessoas'
Ministro da Fazenda diz que reduzir o custo do crédito deve ser prioridade nos próximos anos e cita juros de 442,4% no cartão

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, voltou a colocar os juros elevados entre os principais problemas que o Brasil precisa enfrentar nos próximos anos.Para ele, o custo do crédito cria obstáculos para famílias e empresas e defendeu que o país trate o tema como uma prioridade.
Segundo Durigan, os juros cobrados dos consumidores são especialmente preocupantes. Ele citou como exemplo o cartão de crédito, cujas taxas chegaram a 442,4% ao ano, de acordo com dados do Banco Central divulgados em 30 de julho. O ministro também mencionou os juros cobrados no crediário e em operações oferecidas por fintechs.
Na avaliação do ministro, a redução do custo do crédito precisa fazer parte de uma agenda mais ampla para os próximos anos. Durigan relacionou o tema ao desafio de melhorar as condições econômicas do país e citou também o fim da escala de trabalho 6 por 1 como uma das pautas que deveriam receber atenção.
A preocupação com os juros não está restrita ao consumidor. Durigan também tem criticado o custo elevado para o próprio governo. Na quarta-feira (19), afirmou que as taxas de longo prazo pagas pelo Tesouro Nacional para renovar a dívida pública estão muito altas e classificou a situação como inaceitável.
O ministro defende que o ajuste das contas públicas é uma das principais ferramentas que o governo tem para contribuir com a redução das taxas. Em evento nesta semana, Durigan afirmou que o país está chegando a uma etapa mais difícil das reformas fiscais e destacou a necessidade de controlar despesas obrigatórias, rever gastos e melhorar a trajetória da dívida pública.
Durigan também chama atenção para a composição da dívida brasileira. O aumento da participação de títulos públicos atrelados à Selic faz com que o custo do endividamento fique mais sensível às decisões do Banco Central sobre a taxa básica de juros.
O debate ocorre enquanto o Brasil mantém uma política monetária restritiva, com juros em patamar elevado para combater a inflação. Para o ministro, portanto, a combinação de responsabilidade fiscal, redução do custo da dívida e melhora das condições de crédito será fundamental para criar um ambiente mais favorável ao crescimento econômico nos próximos anos.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



