Dólar sobe na ‘ressaca’ da ‘super quarta’, e bolsa tem leve queda
Moeda americana valorizou frente ao real após passar o dia oscilando com o mercado repercutindo o corte de juros nos Estados Unidos

O dólar voltou a valorizar frente ao real nesta quinta-feira (18), um dia após o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, realizar o primeiro corte de juros do ano. A moeda chegou a bater R$ 5,26 na abertura do mercado, mas passou o dia oscilando e fechou com uma alta de 0,33% e cotado em R$ 5,31.
O movimento do mercado mostra que o corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para a faixa entre 4% e 4,25% ao ano, já estava precificado. Porém, o comunicado da autoridade monetária americana foi lida com sinais mistos. O presidente do Fed, Jerome Powell, ressaltou a preocupação com a persistência da inflação, estimada em 2,6%.
“O comunicado revelou a existência de uma diversidade de opiniões dentro do próprio Fed sobre a trajetória futura da taxa, levantando dúvidas quanto ao ritmo dos próximos ajustes, o que deve ter favorecido o movimento do dólar hoje”, explica Leonel Mattos, analista de inteligência de mercado da Stone X.
Nos últimos cinco dias, o dólar teve uma desvalorização de 1,55% frente ao real. A queda ganhou força com os investidores operando em um cenário de “carry-trade”, quando tomam empréstimos em países com juros mais baixos e investem em uma economia com a taxa elevada.
Bolsa teve queda de 0,06%
Após o recorde nesta quarta-feira (18), o índice Ibovespa, que reúne os principais ativos da bolsa brasileira, fechou o dia praticamente estável com uma leve queda de -0,06% em 145.499,49 pontos. Os investidores trabalham com o tom do comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que, ao manter a Selic em 15% ao ano, não descartou um novo ciclo de alta.
Segundo o gestor de renda fixa do Inter Asset, Ian Lima, o comunicado do Copom em um tom mais restritivo vai ‘tirar força’ das apostas para um corte em dezembro desse ano. “A manutenção do trecho “período bastante prolongado’ e ‘não hesitará em retomar o ciclo’, que expõe a assimetria dos riscos para o cenário prospectivo”, disse.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



