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Copom deve fazer primeiro corte na Selic no ano, mas guerra gera incerteza

Diretores do Banco Central definem nesta quarta-feira (18) os rumos da política monetária

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Corte nos juros se tornou incerto com a guerra no Oriente Médio • Raphael Ribeiro/BCB

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) deve promover, nesta quarta-feira (18), o primeiro corte na taxa básica de juros em 2026. Atualmente fixada em 15% ao ano, a Selic está no maior patamar das últimas duas décadas, elevada na tentativa de conter a inflação dentro da tolerância da meta de 4,5%.

Até algumas semanas atrás, o mercado financeiro dava como certo um corte de 0,5 ponto percentual na taxa. O ciclo de baixa na Selic foi sugerido pelo próprio Copom na reunião de janeiro, afirmando que, se o cenário de inflação menor e transmissão da política monetária se confirmasse, a flexibilização poderia iniciar agora em março.

Contudo, o cenário esperado pelos diretores do BC não se confirmou. O ataque dos Estados Unidos e Israel ao Irã deu início a uma guerra regional no Oriente Médio que provoca o aumento no preço do petróleo, negociado a mais de US$ 100, causando incerteza generalizada no mercado de combustíveis.

A volatilidade é causada tanto pelos ataques iranianos, quanto pelo controle da República Islâmica no estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo comercializado no mundo. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), o conflito está provocando a maior interrupção no fornecimento de petróleo na história, com a queda na oferta global em 8 milhões de barris por dia.

Na semana passada, a Petrobras anunciou o aumento do preço do diesel puro em R$ 0,38, mas ainda poupa a gasolina do reajuste. O governo federal, por sua vez, tenta conter a disparada nas bombas, com isenção de impostos e incentivos para produtores, além de endurecer a fiscalização contra práticas abusivas.

Segundo o economista André Braz, coordenador de índices de preços do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Ibre), os impactos do petróleo podem ser grandes.

“O petróleo influencia o preço dos combustíveis, que é a porta de entrada da inflação. Mas o espalhamento das pressões inflacionárias vão muito além do que a gente percebe em um possível encarecimento do diesel e da gasolina”, explicou em entrevista à Itatiaia.

Braz ressalta que toda a cadeia produtiva pode ficar mais cara e comprometer até a política monetária do Banco Central. “É um desafio a mais para botar a inflação na meta, dada a importância que o petróleo tem. E pouco efeito a política monetária tem nesse sentido. Subir os juros para conter os preços por causa de uma guerra, não tem muito efeito. O melhor que pode ser feito é manter a 15% ao ano”, disse.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.