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Consumo das famílias brasileiras cresce 2,49% no 1º semestre de 2026, diz Abras

Pesquisa da Abras indica que o resultado reflete mercado de trabalho aquecido, circulação de recursos e consumidor mais cauteloso

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O consumo das famílias brasileiras registrou alta acumulada de 2,49% no primeiro semestre de 2026, de acordo com levantamento da Abras (Associação Brasileira de Supermercados).

Em junho, o indicador avançou 0,48% em relação a maio e 1,86% na comparação com o mesmo mês do ano passado, já descontada a inflação pelo IPCA.

Para o vice-presidente da Abras, Marcio Milan, o resultado reflete a combinação entre um mercado de trabalho ainda aquecido, a circulação de recursos na economia e um consumidor mais cauteloso diante da pressão sobre parte dos alimentos.

"A leitura do período aponta para um comportamento mais planejado, com maior atenção às promoções, comparação de preços e seletividade na composição da cesta", afirmou durante coletiva de imprensa. A entidade também identificou mudanças no perfil de consumo durante a Copa do Mundo.

Na "Cesta Copa" elaborada pela Abras, os cortes bovinos responderam por 17,2% do valor da cesta, seguidos por cervejas (13,1%), cortes de frango (11,4%), embutidos (10,9%) e refrigerantes (10,3%). Juntas, essas cinco categorias representaram mais de 60% da cesta analisada no período.

O efeito da Copa variou ao longo do mês conforme o calendário da competição, a participação da seleção brasileira, as promoções e a disponibilidade de renda das famílias.

Na semana de estreia do Brasil, por exemplo, a mobilização em torno dos jogos coincidiu com um período próximo ao pagamento dos salários, favorecendo o consumo das famílias.

No campo dos preços, o Abrasmercado (indicador que acompanha uma cesta de 35 produtos de largo consumo) recuou 0,28% em junho ante maio, interrompendo três meses consecutivos de alta.

Ainda assim, o indicador acumulou elevação de 6,52% no primeiro semestre, e o valor médio da cesta passou de R$ 854,91 para R$ 852,54 em junho.

"A queda de junho trouxe uma acomodação pontual, mas não eliminou a pressão acumulada ao longo do semestre, especialmente entre março e maio", disse Milan.

Já a cesta de 12 produtos básicos subiu 0,08% na passagem de maio para junho, praticamente estável, encerrando o mês com valor médio de R$ 357,39. No acumulado do primeiro semestre, a alta foi de 4,99%, novamente puxada pelo feijão e pelo leite longa vida.

*Por Júlia Pestana, do Estadão Conteúdo

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