Brasil notifica os Estados Unidos sobre abertura de processo de reciprocidade
Presidente Lula defendeu a ação, buscando diálogo apesar das contramedidas

O Itamaraty, em Brasília, enviou nesta sexta-feira (14) uma notificação oficial aos Estados Unidos, informando o início do processo de reciprocidade por parte do Brasil. A medida é uma resposta às tarifas impostas pelo governo do ex-presidente Donald Trump a produtos brasileiros. Para entender a lei da reciprocidade e a reação do Brasil, clique aqui.
Segundo apurou o blog da Débora Bergamasco, da CNN, a notificação foi direcionada aos departamentos de Estado e de Comércio, além do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos).
A imposição da alíquota foi proposta pelo USTR no começo de junho deste ano, no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana. Esta ferramenta de política comercial permite aos EUA investigarem e retaliarem outras nações contra práticas comerciais consideradas injustas. Sobre as alíquotas e a cautela brasileira com o tarifaço americano, leia mais.
Nesta sexta-feira (14), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu publicamente o início do processo de reciprocidade contra as tarifas dos Estados Unidos. Ele reforçou que não busca "briga" com a nação norte-americana, mas sim o diálogo. Anteriormente, houve discussões sobre adiar a aplicação da lei de reciprocidade para um momento mais adequado.
"Eu quero manter uma boa relação com os Estados Unidos. Não quero nenhuma briga com os Estados Unidos. Lamentavelmente, eles estão fazendo, sabe, construindo inverdades contra o Brasil. Nós, ontem, entramos com lei da reciprocidade para a gente mostrar que a gente não é pouca coisa", disse Lula em entrevista aos podcasts As Cunhãs e Não Inviabilize.
Em nota divulgada na quinta-feira (13), o governo federal afirmou que as consultas diplomáticas visam "mitigar ou anular" os efeitos das medidas norte-americanas e de possíveis contramedidas brasileiras. O Planalto destacou que o procedimento reafirma a intenção de priorizar o diálogo e a negociação com Washington.
"As tarifas norte-americanas são injustificadas e arbitrárias, e o Brasil continuará defendendo sua posição em todas as instâncias cabíveis", diz trecho da nota.
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