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FIEMG defende cautela do Brasil em resposta às tarifas dos Estados Unidos

Governo busca negociação com os norte-americanos, mas Brasil poderá adotar contramedidas caso não haja acordo; setor produtivo alerta para riscos de uma escalada tarifária

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Divulgação / Fiemg

O governo brasileiro deu início ao processo previsto na Lei de Reciprocidade Econômica em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A medida permite que o país adote contramedidas contra nações que criem barreiras comerciais ou restrições às exportações brasileiras.

O Ministério das Relações Exteriores já iniciou a notificação dos Estados Unidos e deve solicitar consultas diplomáticas. A estratégia, neste primeiro momento, é abrir espaço para negociação e tentar reduzir ou até eliminar os efeitos das tarifas.

Segundo Cristian Wallace Lopes, analista de negócios internacionais do Centro Internacional de Negócios da FIEMG (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), o processo ainda está em uma etapa inicial e não significa que o Brasil vá aplicar imediatamente novas tarifas contra produtos norte-americanos. “A gente já viu isso no ano passado, com as tarifas de 50% que os Estados Unidos aplicaram sobre o Brasil. Essa medida também foi aplicada, mas buscando justamente trazer os Estados Unidos para a mesa de negociação.”

De acordo com o analista, antes de uma eventual aplicação de medidas de reciprocidade, é necessário cumprir uma série de etapas, incluindo consultas públicas com empresas e definição dos setores que poderiam ser afetados.

Cristian Wallace Lopes, analista de negócios internacionais do Centro Internacional de Negócios da FIEMG • Fabiano Frade / Itatiaia
Cristian Wallace Lopes, analista de negócios internacionais do Centro Internacional de Negócios da FIEMG • Fabiano Frade / Itatiaia

Negociação é vista como principal caminho

A expectativa do setor produtivo é que as consultas diplomáticas permitam uma negociação entre os dois países. O objetivo é ampliar a quantidade de produtos brasileiros que ficam livres das tarifas e reduzir os impactos sobre a competitividade das empresas.

Para Cristian Wallace, a negociação também é importante porque os Estados Unidos dependem de determinados produtos brasileiros. “A expectativa é que, com essa negociação, a gente consiga pelo menos ampliar a lista de produtos que são isentos e trazer uma solução que seja benéfica para os dois lados.”

Agronegócio exige atenção

O agronegócio é um dos setores que mais preocupa diante de uma possível escalada da disputa comercial. Produtos como café e laranja têm os Estados Unidos entre seus importantes mercados consumidores.

Segundo o analista, grande parte dos produtos do agronegócio brasileiro ainda não está sujeita às tarifas e, por isso, uma escalada do conflito poderia ampliar os prejuízos para os produtores. “É importante manter realmente a negociação em um nível que não escale, que não vire um conflito de tarifas onde os Estados Unidos aumentem a tarifa do Brasil e o Brasil aumente tarifas para os Estados Unidos”, disse.

Escalada tarifária é o pior cenário

Para a FIEMG, o pior cenário para as empresas brasileiras seria uma escalada das medidas tarifárias. Além dos setores exportadores, empresas que dependem de produtos e insumos importados dos Estados Unidos também poderiam ser afetadas.

Cristian Wallace destaca que a reciprocidade prevista na legislação, neste momento, não representa uma retaliação imediata, mas o início de um processo que pode resultar em novas medidas caso as negociações não avancem.

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Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.

 

 

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