Calor deve persistir em Minas Gerais na próxima semana; temperaturas podem chegar a 39°C
Afastamento de frente fria favorece aumento das temperaturas e tempo seco; segundo o Inmet, fenômeno não configura onda de calor

O afastamento da frente fria que derrubou as temperaturas nos últimos dias abriu espaço para a volta do calor em Minas Gerais. Segundo os institutos de meteorologia, um sistema de alta pressão atmosférica deve ganhar força sobre o interior do Brasil, favorecendo a presença de ar seco, poucas nuvens e mais horas de sol.
Em algumas regiões do estado, principalmente no Oeste, os termômetros podem chegar a 39°C. O calor também deve persistir ao longo da próxima semana, com destaque para as regiões Norte, Noroeste, Triângulo Mineiro e Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Fenômeno não é considerado onda de calor
Apesar das temperaturas elevadas, o meteorologista Lizandro Gemiacki, do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), explica que o cenário atual não atende aos critérios para ser classificado como uma onda de calor. Segundo o especialista, o termo “veranico” também pode ter significados diferentes dependendo da região do país. No Sul, costuma ser utilizado para descrever um período de aquecimento durante o inverno. Já no Centro-Sul e em outras áreas do Brasil, o termo está relacionado principalmente a uma interrupção das chuvas durante o período chuvoso.
No caso do aquecimento registrado agora, trata-se de um episódio de calor que, segundo o meteorologista, não deve atingir os critérios utilizados pelo INMET para a emissão de alerta de onda de calor.
Para essa classificação, é necessário que as temperaturas permaneçam pelo menos 5°C acima da média climatológica durante cinco dias consecutivos, entre outros critérios.
Calor e tempo seco exigem atenção
Além das temperaturas elevadas, a previsão é de manutenção do tempo seco em boa parte de Minas Gerais. A combinação de calor, baixa umidade e poucas nuvens pode aumentar o desconforto e exige atenção da população, principalmente nos períodos de umidade mais baixa.
O cenário também é favorecido pela atuação de um sistema de alta pressão, que dificulta a formação de nuvens e mantém uma massa de ar quente e seco sobre a região central do país.
Influência do El Niño fez agosto mais quente
De acordo com Lizandro Gemiacki, episódios de calor mais intenso costumam ser relativamente comuns entre o fim de agosto e o início de setembro. Neste ano, porém, há uma interação entre os sistemas meteorológicos e a influência do El Niño, que pode contribuir para a persistência do calor.
O fenômeno favorece movimentos de ar descendente e pode reforçar a atuação de sistemas de alta pressão sobre a região central do Brasil. Essa configuração pode dificultar a entrada de sistemas capazes de provocar mudanças significativas no tempo e prolongar os períodos de temperaturas elevadas.
Previsão para a próxima semana
A tendência é de que o calor continue ao longo da próxima semana. As temperaturas mais elevadas devem ser observadas principalmente no Norte, Noroeste, Triângulo Mineiro e na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Apesar do período de calor, novas mudanças nas condições atmosféricas ainda podem ocorrer ao longo do mês. Por isso, a previsão deve ser acompanhada, especialmente diante da combinação de temperaturas elevadas e tempo seco.
Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.



