‘Brasil é um gigante adormecido’, diz especialista sobre terras raras em evento do Banco Inter
O Banco Inter promoveu um evento sobre terras raras nesta quinta-feira (9)

Em evento realizado pelo Banco Inter nesta quinta-feira (9), o diretor de Commodities da Eurasia, Tim Puko, analisou o cenário da corrida mundial pelas terras raras, tema de relevância nacional e internacional. Ao lado dele, os palestrantes Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter, André Valério, economista sênior do Inter, e Philipe Moura, diretor de estratégia da Eurasia, comentaram sobre a importância do tema para o Brasil e Minas Gerais.
“Acho que o Brasil é um gigante adormecido. A China tem cerca de metade das reservas conhecidas de terras raras do mundo e 70% da produção. Mas o Brasil tem um quarto das reservas mundiais. Infelizmente, atualmente apenas 1% da produção mundial. Então você vê essa disparidade ali, não é grande em termos o que está acontecendo hoje, mas o potencial é muito óbvio”, afirmou Tim Puko à Itatiaia.
O diretor de Commodities da Eurasia afirma que as terras raras se tornaram importantes para equipamentos de alta tecnologia, armas militares e outros itens essenciais para a segurança nacional e economia.
Segundo Tim Puko, para que o Brasil possa aproveitar as terras raras que possui é necessário incentivo financeiro. “Também tem de ser uma política duradoura. Então, definir políticas que permitam que os projetos comecem rapidamente, que deem uma contribuição para que problemas e potenciais problemas possam ser resolvidos de antemão. E dinheiro e outros apoios para ajudar na infraestrutura também. Não são apenas reservas. Terras raras são difíceis de separar e, portanto, não é possível simplesmente cavar essas pedras do solo. É preciso ter o equipamento, a infraestrutura”, afirma.
O potencial brasileiro também é reconhecido por Philipe Moura. “A vantagem geológica não necessariamente se traduz numa vantagem econômica. Então o grande desafio do Brasil é de fato subir na cadeia e aproveitar as oportunidades do fato de que a gente tem um quarto das reservas do mundo, mas só produz 1%, para a gente se tornar um grande fornecedor disso globalmente, que não só é muito importante para o tema da inteligência artificial, mas também é muito importante para garantir outras cadeias já muito bem estabelecidas, como os usos militares, os usos bélicos”, explica o diretor de estratégia da Eurasia.
Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter, destaca a importância de clientes e investidores do banco estarem informados sobre a conjuntura internacional, especialmente envolvendo mineração. “A mineração é um setor muito relevante não só para o Brasil, mas especialmente em Minas Gerais. É um setor que gera bastante emprego, é um setor muito importante na nossa economia também pelas exportações. Boa parte do nosso superávit comercial vem da mineração. A mineração compõe uma parte relevante da balança comercial”, explica.
André Valério, economista sênior do Inter, destaca a importância do investimento externo. “A gente vê um interesse muito grande do resto do mundo pelas nossas oportunidades aqui. E isso reflete no investimento direto estrangeiro, que está acumulando nos últimos 12 meses mais de 80 bilhões de dólares, que ajuda a financiar toda a nossa baixa capacidade de poupança, que a gente não consegue financiar domesticamente esses investimentos, mas também financiar os nossos gastos externos”, explica.
Jornalista pela PUC Minas. Na Itatiaia, escreve para Minas Gerais e Brasil. Anteriormente, trabalhou no jornal Estado de Minas como repórter de Gerais, com contribuições para os cadernos de Política, Economia e Diversidade.



