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BC diz que superendividamento é um ‘problema crescente' no Brasil

Relatório do Banco Central aponta o acesso ao cartão de crédito sem a devida educação financeira como um dos motivos para o endividamento das famílias

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Máquina de cartão crédito e débito
Máquina de cartão crédito e débito • Marcello Casal Jr/Agência Brasi

O Relatório de Cidadania Financeira de 2025, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (13), afirma que o superendividamento dos trabalhadores é um “problema crescente no Brasil”. Os dados apresentados pela autoridade monetária dão conta de 73 milhões de brasileiros com dívidas negativas, sendo 27,4% com débitos no cartão de crédito.

O documento usa dados de dezembro de 2024, quando a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), elaborada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), apontava para 77% das famílias brasileiras endividadas. Dados de abril deste ano mostram que esse montante subiu para 80%.

Ainda de acordo com o BC, o impacto psicológico das dívidas na vida das pessoas é “profundo e abrangente”. Esses efeitos, afirma o Banco Central, além de afetar o bem-estar das pessoas, podem afetar o desempenho profissional e suas relações sociais.

“Estudos mostram que o endividamento excessivo está associado a altos níveis de estresse, ansiedade e depressão. A preocupação constante com as contas a pagar e a sensação de impotência diante das dívidas podem levar a problemas de sono, baixa autoestima e até mesmo a conflitos familiares”, destaca o relatório.

Linhas de crédito mais caras

Entre os motivos que levam o brasileiro a estar mais endividado, a entidade afirma que a facilidade de acesso ao crédito sem uma oferta responsável e adequada ao perfil do cliente, sem a devida proteção ao consumidor e sem a devida educação financeira, “leva muitos a contraírem dívidas que não conseguem pagar”,

“O cartão de crédito é frequentemente apontado como um dos principais vilões do superendividamento devido às altas taxas de juros e à facilidade de uso, que muitas vezes leva ao consumo desenfreado”, afirma.

O documento também observa que houve um crescimento no oferecimento de linhas de crédito mais caras e sem garantia, com juros maiores. O relatório revela que mais de 37 milhões de brasileiros passaram a ter acesso ao cartão de crédito nos últimos 4 anos, sendo que 96 milhões utilizam o crédito rotativo ou parcelado com juros.

“O número de cartões ativos dividido pela quantidade de usuários traz uma média superior a dois cartões de crédito por pessoa. Isso indica uma possível mudança no comportamento financeiro dos brasileiros nos últimos anos, que não somente aumentaram os pagamentos feitos no cartão de crédito, como também adicionaram cartões às finanças diárias. Possuir mais de um cartão de crédito destaca a importância de letramento financeiro para gerenciar mais de um limite de crédito”, completou.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.