Alta do querosene pode ter ‘consequências severas’ para aviação, alerta setor
Petrobras anunciou reajuste de 55% no preço do combustível usado pela aviação comercial

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) afirmou que o reajuste de quase 55% no preço do querosene de aviação (QAV), anunciado nesta quarta-feira (1º) pela Petrobras, pode ter “consequências severas” para o setor. Na prática, os preços são alterados todo mês, mas dessa vez ocorre em meio a instabilidade provocada pela guerra no Oriente Médio.
Em nota, a Abear disse que o combustível responde por 45% dos custos operacionais das companhias aéreas. “A medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo”, disse.
A associação ainda explica que, embora 80% do QAV consumido no país seja produzido localmente, a precificação acompanha a paridade internacional. Esse fator intensifica os efeitos das oscilações do preço do barril de petróleo para o mercado doméstico, ampliando os impactos de choques externos sobre os custos das companhias.
“Nesse sentido, a Abear tem defendido a implementação de mecanismos que permitam diminuir os impactos do aumento do QAV, garantindo o desenvolvimento do transporte aéreo, a conectividade nacional e a sustentabilidade econômica das operações”, afirma a Abear em nota.
Petrobras vai parcelar reajuste
Em comunicado, a Petrobras afirmou que deve parcelar o reajuste de abril. Distribuidoras que atendem à aviação comercial poderão optar por pagar apenas 18% de aumento e parcelar em até seis vezes a diferença, a partir de julho. De acordo com a estatal, a medida visa preservar a demanda e mitigar os eventos no setor de aviação.
“Esse instrumento contribui com a saúde financeira dos clientes da companhia ao mesmo tempo em que preserva neutralidade financeira para a Petrobras, considerando o cenário de forte elevação das cotações internacionais dos derivados de petróleo, intensificado por tensões geopolíticas recentes no Oriente Médio”, justificou a estatal.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



