Monólogo debate desemprego tecnológico e paixão pelo samba no Centro Cultural Unimed-BH Minas
Espetáculo integra a programação da segunda edição do FESTA (Festival de Teatro e Artes) e traz reflexão sensível sobre a dignidade do trabalhador comum

A relação entre a tradição humana e o avanço frio da tecnologia é o fio condutor de "Prata da Casa", espetáculo que chega a Belo Horizonte no sábado (30). A montagem será apresentada no Teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas, às 20h, como parte da programação da segunda edição do FESTA – Festival de Teatro e Artes, evento que celebra a diversidade nas artes cênicas.
O monólogo, idealizado e interpretado pelo ator Felipe Frazão, conta a história de Tatá, um mestre-sala e zelador de um antigo edifício que vê sua vida virar de cabeça para baixo. Com a chegada de câmeras e sistemas de reconhecimento facial, seu emprego, sua moradia e sua profunda ligação com a escola de samba de seu coração entram em grave ameaça.
Além dos clichês do herói
O projeto nasceu do desejo de Felipe Frazão de explorar a humanidade por trás de figuras que costumam ser invisíveis no dia a dia urbano, como porteiros e zeladores. Para fugir de estereótipos, a direção e a dramaturgia de Victor Mendes buscaram retratar o personagem com leveza, dignidade e orgulho de sua profissão.
"A gente buscou não romantizar a profissão, mas ao mesmo tempo ser um zelador que está de bem com a vida. Tatá gosta de sua função, tem orgulho de seguir os passos do pai", explica o diretor Victor Mendes.
Para o diretor, vencedor do prêmio APCA por A História Sem Fim, a peça marca um momento de maior maturidade em sua carreira. A encenação aposta em uma "simplicidade tanto de atuação quanto de acabamento" para gerar uma conexão imediata e genuína com o espectador, independentemente de sua classe social.
O samba como modo de vida
Em Prata da Casa, o samba não funciona apenas como trilha sonora ou tema de fundo, mas como um lugar de pertencimento. O protagonista herdou do pai tanto o ofício no prédio quanto o amor pela quadra, transformando a música em seu principal suporte para enfrentar as adversidades.
A bagagem de Victor Mendes como frequentador e MC no tradicional Samba da Vela, em São Paulo, foi fundamental para a construção da narrativa. O contato direto com trabalhadores que se transformam em sambistas nas noites de segunda-feira forneceu a matéria-prima ideal para dar alma ao texto.
Ao tocar na ferida do desemprego tecnológico, a peça se transforma em um manifesto de valorização do conhecimento empírico e das tradições comunitárias que resistem à modernização acelerada das cidades.
Serviço:
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Quando: 30 de maio, sábado | 20h
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Onde: Teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas | Rua da Bahia, 2.244 – Lourdes
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Ingressos: R$ 50 (inteira)
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Vendas: Plataforma Sympla ou diretamente na bilheteria do teatro
- Mais informações: pelo site oficial
Giovanna Damião é jornalista da televisão, digital e do rádio. Desde 2020 como social media e redatora na televisão e, mais recentemente, atuando como apresentadora e repórter da editoria de cultura. Com versatilidade no jornalismo, caminha pela música, eventos, esportes e entretenimento.
