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20 anos: Série da Netflix revisita atentados a bomba em Londres

Atentado que matou 56 pessoas completa 20 anos nesta segunda-feira (07)

Série entrevista sobreviventes, familiares de vítimas, conhecidos dos autores dos atentados, policiais, o especialista-chefe em explosivos. Além do então primeiro-ministro Tony Blair, a chefe do MI5 e o policial que efetuou os disparos que mataram o mineiro Jean Charles.

Era uma manhã de quinta-feira normal em Londres, milhares de pessoas se deslocavam pela rede de metrôs subterrâneos que conectam a capital inglesa. A aparente normalidade do dia foi interrompida quando, em quatro pontos diferentes da cidade, o barulho de bombas explodindo parou o Reino Unido.

Essa é a premissa da série ‘Ataque em Londres: Os atentados de 7 de julho’ lançada pela plataforma de streaming Netflix no primeiro dia do mês de julho. A produção, divida em quatro capítulos, reconta os passos daquele ataque terrorista que matou 52 pessoas e deixou mais de 700 feridos.

Confira o trailer da produção ‘Ataque em Londres’

“Ataque em Londres” traz entrevistas com sobreviventes, familiares de vítimas, conhecidos dos autores dos atentados, policiais, o especialista-chefe em explosivos. A série consegue entrevistas inéditas com o então primeiro-ministro Tony Blair, a chefe do MI5 e o policial que efetuou os disparos que mataram o mineiro Jean Charles.

O atentado

Em 7 de julho de 2005, quatro homens britânicos foram de Luton - cidade a noroeste de Londres - à capital inglesa. Munidos de mochilas equipadas com bombas caseiras, três se deslocaram para estações de metrô e o quarto, para um ônibus de dois andares.

Segundo informações da BBC, o primeiro atentado aconteceu às 8h50 (horário local), em um trem que saiu da estação King’s Cross. Mohammad Sidique Khan explodiu a bomba entre as estações Edgware Road e Paddington, matando seis pessoas.

Pouco depois, Shehzad Tanweer detonou uma bomba entre as estações Liverpool Street e Aldgate, matando sete pessoas. A explosão mais letal ocorreu na linha Piccadilly, entre King’s Cross e Russell Square, onde Germaine Lindsay acionou o explosivo em um vagão lotado, matando 26 pessoas.

O último atentado ocorreu às 9h47, em Tavistock Square. Hasib Hussain, o mais jovem do grupo com 18 anos, explodiu a bomba no andar superior de um ônibus, matando 13 pessoas.

Os quatro homens-bomba morreram no ataque suicida.

Através de um comunicado, um grupo ligado à Al Qaeda assumiu a autoria dos ataques e afirmou se tratar de uma resposta ao apoio do Reino Unido à presença norte-americana no Iraque e no Afeganistão.

Segundo ataque

Duas semanas depois, em 21 de julho, outros quatro homens tentaram explodir artefatos semelhantes aos usados no primeiro ataque em estações de metrô da capital inglesa. No entanto, dessa vez, a tentativa foi frustrada já que as bombas falharam. Os quatro conseguiram fugir e a busca por eles deu origem à maior caçada policial da história do Reino Unido.

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Morte de mineiro Jean Charles de Menezes

O mineiro natural de Gonzaga - cidade no Vale do Rio Doce do estado - se tornou uma das vítimas ‘indiretas’ do segundo atentado. No dia 22 de julho, a Polícia Metropolitana de Londres confundiu o eletricista como um dos possíveis terroristas responsáveis pelo ataque fracassado.

Jean, que estava no metrô indo trabalhar, foi baleado mais de cinco vezes na cabeça sentado dentro de um vagão do metrô na estação de Stockwell.

Em agosto de 2007, um relatório da comissão independente de queixas contra a polícia acusou a Scotland Yard de mentir sobre a morte de Jean Charles de Menezes. Em novembro do mesmo ano, a polícia britânica foi condenada pela Justiça a pagar 385 mil libras, por burlar as normas de segurança e saúde da população na operação que matou Jean Charles. Embora sem individualizar os responsáveis, a decisão estabeleceu a responsabilidade da Polícia Metropolitana no caso.

Em novembro de 2009, a família de Jean ganhou uma indenização de 100 mil libras.

Hoje, se encontra na estação de Stockwell um memorial em homenagem ao brasileiro.

Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, é repórter da Itatiaia desde abril de 2023, na equipe de redes sociais. Já passou pela redação do jornal Estado de Minas e assessoria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Tem experiência principalmente em vídeos, podcasts e reportagens multimídia.