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Valdir Barbosa: depois do arroz e feijão, vem a carne bovina desgovernada no mercado de alimentos

Os preços do bezerro estão em disparada e serão um fato relevante na formação do valor da arroba que vai se aproximando de novos recordes

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Preço do bezerro disparou • Agência IBGE Notícias/Reprodução

Amigas e amigos do Agro!

O ciclo do boi que atingiu em cheio os Estados Unidos, Austrália e chegando, agora, ao Brasil, vem provocando um desequilíbrio no mercado bovino.

É certo que a arroba do boi vai em direção a recordes de preços e o mercado varejista, que atende ao consumidor, não resiste mais aumentos porque há queda nas vendas, mais na segunda quinzena do mês quando os salários se esgotam.

Os pequenos frigoríficos sentem dificuldades na compra do boi inflacionado a cada semana. Os grandes têm contratos com preços travados com os produtores, usam seus próprios confinamentos e absorvem parte dos aumentos e não repassam tudo para o varejista.

Os pequenos e médios não conseguem absorver e são eles que abastecem uma grande parte das cidades do interior.

É quando o consumidor começa a pagar carne bovina no interior ao preço das grandes cidades.

O mercado do boi vive hoje numa “panela de pressão” e quando a tampa voar, ninguém segura o preço da carne.

A disparada do preço do bezerro também preocupa, porque o pecuarista que trabalha com a cria e recria do bezerro vai encontrar animais muito caros no momento da reposição.

E o que trabalha com a terminação do gado, compra o animal com preço em alta e vai ter que tirar a diferença lá na frente, ou seja, na venda do boi gordo, que chega no final ao consumidor.

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Hoje a relação de troca entre o boi gordo e o bezerro para reposição está no pior patamar dos últimos 5 anos.

Dados do Cepea/Esalq, indicam que são necessárias 9,7 arrobas de boi gordo paulista, que é mais valorizado, para comprar um bezerro no Mato Grosso do Sul, onde é mais barato. Em outubro de 2021 eram necessárias 10.3 arrobas.

Resumindo: o bezerro sobe mais que o boi gordo, ou seja, o filho está valendo mais que pai.

O preço do frango subiu em setembro e dos suínos também, e novos aumentos estão previstos com as vendas do boi em queda.

E vem a informação que Donald Trump pode reduzir a importação de carne bovina. Estudos estão em andamento podendo afetar um pouco mais o mercado brasileiro.

Trump anunciou o corte de 36% da cota de açúcar especial do Nordeste para os Estados Unidos.

O Brasil é o maior exportador de açúcar do planeta e esse corte de Donald Trump não altera em nada o volume brasileiro, mas em se tratando no Nordeste as pequenas usinas que dependem dessa exportação sem sobretaxas podem sofrer impacto relevante.

Portanto, ir ao quintal de Trump e ficar alfinetando o presidente americano, sempre vem o troco silenciosamente.

Valdir Barbosa, Itatiaia Agro.

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Produtor rural no município de Bambuí, em Minas Gerais, foi repórter esportivo por 18 anos na Itatiaia e, por 17 anos, atuou como Diretor de Comunicação e Gerente de Futebol no Cruzeiro Esporte Clube. Escreve diariamente sobre agronegócio e economia no campo.

 

 

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