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O que os professores brasileiros pensam sobre a profissão?

Pesquisa de opinião ouviu mais de 6 mil professores de todo o país

Na última semana, apresentei nesta coluna dados de uma pesquisa desenvolvida pela USP, em parceria com o Instituto iungo, sobre a escola dos sonhos de professores da educação básica no Brasil. Ao todo, nove em cada 10 professores desejam uma escola diferente da que temos hoje. Diferente nos modos de ensinar e aprender, com participação efetiva dos estudantes e com relações mais democráticas e inclusivas. Os professores, na mesma pesquisa, também explicitam seu compromisso com a profissão, ou seja, querem continuar trabalhando nas salas de aula, mesmo com tantos desafios que enfrentam em seu cotidiano.

Hoje, trago outra pesquisa, também importante, realizada pelo IPEC por solicitação do Todos pela Educação, Fundação Itaú, Movimento Profissão Docente e Instituto Península. Trata-se de uma pesquisa de opinião com professores de redes públicas de ensino de todo o país, com a intenção de conhecer o que eles pensam sobre diversos temas relacionados à educação.

Destaco alguns pontos importantes: o primeiro deles, que não surpreende, é que 91% dos entrevistados dizem que o que traz mais satisfação na profissão é quando percebem que os alunos estão aprendendo. Professor quer ver seu aluno crescer! Outro dado que não surpreende é que 98% dos professores sentem satisfação quando podem dividir com colegas e lideranças os desafios que enfrentam em seu trabalho. Professor gosta de contar com os colegas para enfrentar as dificuldades! Vale dizer, também, que apenas 7% dos professores brasileiros concordam que são tão valorizados quanto outros profissionais, tais como médicos, advogados e engenheiros. Professor quer (e precisa) ser valorizado pela sociedade!

Sabemos que essa valorização, tão desejada pelos professores, passa pela garantia de boas condições de trabalho e por uma remuneração adequada à relevância da carreira, mas, também, pela necessidade de investimento em formação continuada, o que faz com que os profissionais aprimorem suas práticas com os estudantes. O que preocupa, no entanto, é saber que grande parte dos professores avalia que os cursos universitários de pedagogia e as licenciaturas não têm formado com qualidade os profissionais. Também chama a atenção saber que, segundo a pesquisa, 56% dos professores disseram que não receberam orientação específica da secretaria de educação ao qual estão vinculados em seu primeiro ano de docência. Ou seja, há um número significativo de profissionais que chegam à escola sem experiência e sem orientação.

Por fim, trago um dado da pesquisa que revela o quanto os professores estão comprometidos com a construção de uma educação de qualidade: 92% deles querem participar da construção de políticas e de programas nas redes de ensino em que trabalham. Em outras palavras, querem pensar juntos soluções para os problemas da educação. Que sejam ouvidos pelas lideranças educacionais, afinal, eles têm muito o que ensinar quando o assunto é a realidade e as possibilidades da escola.

Paulo Emílio Andrade é presidente do Instituto iungo, organização sem fins lucrativos que tem o propósito de transformar, com os professores, a educação no Brasil. É, também, professor da PUC Minas e pesquisador do Núcleo de Novas Arquiteturas Pedagógicas da USP

Paulo Emílio Andrade é presidente do Instituto iungo, organização sem fins lucrativos que tem o propósito de transformar, com os professores, a educação no Brasil. É mestre e doutor em educação, pesquisador do Núcleo de Novas Arquiteturas Pedagógicas da USP e professor da PUC Minas.
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