Depoimento de Zema à PF sobre ‘vista grossa’ do governo em atos violentos de Brasília durou 10 minutos

Governador pontuou não ter informações, mas que achou estranha a facilidade da invasão

Interlocutores que acompanharam a oitiva de Zema classificaram o depoimento com um “clima tranquilo”

Durou cerca de 10 minutos o depoimento do governador Romeu Zema (Novo) à Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (19). Ele foi ouvido à distância e prestou os esclarecimentos aos delegados direto da sede do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), na região Centro-Sul de Belo Horizonte.

Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, Zema foi ouvido por ter sugerido, durante entrevista, que o governo federal fez “vista grossa” em relação aos atos antidemocráticos do dia 8 de janeiro em Brasília.

“Parece que houve um erro da direita radical, que é minoria. Houve um erro também, talvez até proposital do governo federal que fez vista grossa para que o pior acontecesse e ele se fizesse de vítima. É uma suposição. Mas as investigações vão apontar se foi isso. O que se demonstrou ali, naquele domingo, dia 8 de janeiro, foi uma lerdeza gigantesca de quem está ali para defender as instituições”, declarou, em janeiro.

A coluna apurou que a oitiva de Zema teve “clima tranquilo”. O governador pontuou não ter informações sobre qualquer “vista grossa” por parte do governo federal, mas que achou estranha a facilidade da invasão. Disse, ainda, repudiar os atos violentos e que espera que tudo seja esclarecido.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. É colunista da Rádio Itatiaia. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

Ouvindo...