Kia Tasman chega ao Brasil com visual ousado e mira as picapes médias
Modelo sul-coreano é 4X4 e tem motor diesel 2.2 litros de 210 cv de potência

A Kia, com um design nada convencional, entra em um dos segmentos mais disputados do mercado brasileiro com a picape Tasman. O modelo chega inicialmente na versão GL, por R$ 249.990, para encarar nomes já conhecidos do consumidor, como Ford Ranger, Toyota Hilux, S10, Triton e demais concorrentes.
A coreana aposta em uma receita conhecida para esse tipo de utilitário: motor diesel, tração 4x4, reduzida e capacidade para enfrentar o fora de estrada. Mas faz isso com uma carroceria que foge bastante do desenho tradicional das picapes.
E é justamente aí que está o primeiro ponto de atenção. A Tasman não passa despercebida. A dianteira praticamente vertical, os faróis nas extremidades e as enormes molduras plásticas dos para-lamas criam uma identidade própria. Pode gostar ou não. Confundir com outra picape, porém, será difícil.
Motor
A Kia aproveitou o conjunto mecânico já conhecido em seus SUVs para colocar a Tasman na estrada. A GL utiliza motor 2.2 turbodiesel de 210 cv e 45 kgfm, associado a uma transmissão automática de oito marchas e tração integral com reduzida.
O motorista pode escolher entre os modos Normal, Eco, Sport e Smart, além dos programas específicos para neve, lama e areia. No console, um seletor permite alternar entre 2H, 4A, 4H e 4L.
A picape acelera de 0 a 100 km/h em 9,7 segundos e alcança 201 km/h. Não é uma esportiva, evidentemente, mas os números mostram que a Kia não entrou no segmento apenas para cumprir tabela.
No PBEV, a Tasman registra 9,5 km/l na cidade e 10,9 km/l na estrada. São números que colocam o diesel ainda como uma escolha bastante racional para quem pretende usar a picape em viagens e no trabalho.
O porte
Com 5,41 metros de comprimento, 1,93 m de largura, 1,87 m de altura e 3,27 m de entre-eixos, a Tasman está dentro do tamanho esperado de uma picape média moderna.
O vão livre do solo chega a 231 mm, enquanto os ângulos de entrada, saída e rampa são de 28,9°, 25° e 23,7°, respectivamente. A capacidade de imersão é de bons 800 mm. As rodas são de liga leve de 17 polegadas.
A caçamba tem 1,51 m de comprimento, 1,57 m de largura máxima e 54 cm de profundidade. São 1.173 litros de capacidade e até 1.007 kg de carga útil.
O tanque de combustível comporta 80 litros de diesel e há ainda um reservatório de 14 litros para Arla 32.
O visual é ame ou odeie
Na frente, a Tasman parece querer dizer alguma coisa antes mesmo de ligar o motor. A grade é grande, os faróis ficam praticamente nas pontas da carroceria e as caixas de roda recebem molduras que avançam pelos para-lamas.
Na traseira, a receita continua. As lanternas também estão posicionadas nas extremidades e a tampa da caçamba recebe um enorme logotipo da Kia, acompanhado pelo nome Tasman.
É um desenho que vai dividir opiniões. Mas isso também pode ser uma qualidade. Em um segmento recheado de produtos visualmente parecidos, a Kia criou uma picape com personalidade própria.
Cabine silenciosa
Por dentro, a Tasman segue a linguagem mais recente da Kia e entrega um painel dominado por telas. São 29,6 polegadas reunidas em um conjunto panorâmico, sendo 12,3 polegadas para o quadro de instrumentos, outras 12,3 para a central multimídia e uma tela de 5 polegadas para os comandos do ar-condicionado.
A boa notícia é que a Kia não entregou tudo às telas. Logo abaixo da central há comandos físicos, enquanto o console concentra a alavanca do câmbio, o seletor da tração, o freio de estacionamento eletrônico e o Auto Hold.
Há ainda carregador de celular por indução, portas USB e Android Auto e Apple CarPlay sem fio. A versão GL também traz ar-condicionado automático de duas zonas, chave presencial, partida por botão e remota, volante revestido em couro, retrovisores elétricos e iluminação em LED.
Segurança
A Tasman GL vem equipada com airbags frontais, laterais e de cortina, controles eletrônicos de estabilidade e tração, assistente de descida, auxílio de partida em rampas, controle de estabilidade para reboque e frenagem multicolisão.
O pacote inclui ainda câmera de ré com guias dinâmicas e sensores de estacionamento dianteiros e traseiros. O piloto automático, porém, é convencional.
E aqui está um ponto que deve mudar quando a família crescer. A Kia já prepara versões mais caras para o Brasil (PGL-PRO) e, com elas, a expectativa é de que cheguem também sistemas mais completos de assistência ao motorista.
Na rodagem
No curto test-drive que fizemos, o destaque ficou para o silêncio ao rodar. Motor e suspensão pouco passam ruídos para a interna, o que aproxima a picape de um SUV em conforto.
Em matéria de espaço, quem viaja atrás ainda precisa lidar com o assoalho alto, mas a qualidade dos materiais agrada. Perde-se em tecnologia mas o uso não deve desabonar.
Por enquanto, a Tasman entra no mercado com uma única configuração e uma missão importante: mostrar que a Kia também sabe fazer picape.
Por R$ 249.990, a GL combina motor diesel, câmbio automático, 4x4 com reduzida, boa capacidade de carga e uma proposta claramente aventureira. O maior diferencial, entretanto, está naquilo que o consumidor vê primeiro.
A Tasman é diferente. E, em um mercado de picapes em que ser diferente pode custar caro, a Kia decidiu apostar justamente nisso.
Jornalista, creator, diplomado pela Universidade Católica de Pernambuco, técnico em mecânica e premiado como um dos mais admirados do setor automotivo do país. Atua no segmento desde 1995 e está presente nas principais coberturas de lançamentos e salões nacionais e internacionais.



