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Por que a corrida pela PBH está morna?

Na tentativa de furar a bolha e buscar votos dos moderados candidatos caminham para o centro

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Disputa pela PBH ainda está morna • PBH

"A corrida eleitoral em Belo Horizonte está morna". É o que muitos tem dito pelas ruas e em rodas de conversa sobre política. A verdade é que está mesmo e tem uma explicação. Até o momento, a disputa na capital mineira está mais moderada que polarizada.

Teto de votos

Ao invés de se dirigem para os extremos dos polos, os candidatos optaram por caminharem para o centro. E isso tem um motivo. A partir da constatação de que os votos bolsonaristas e os lulistas têm um teto, que normalmente não ultrapassa os 30%, os candidatos mais à esquerda e os mais à direita partiram em busca dos votos de centro e isso tem um efeito na temperatura da eleição, ela fica morna. Sem propostas radicais, sem ataques, sem debates intensos - o termômetro eleitoral marca menos.

Queda de temperatura

Embora por toda parte escutemos que o ideal seja uma campanha de propostas e esse é de fato é ideal. Nós também sabemos que as pessoas gostam de embate, tensão e muitos gostam até de treta e baixaria.

Para se salvar, a maioria dos candidatos decidiu, com suas coordenações de campanha, baixar o tom. O raciocínio é que desta forma eles mantem os votos de seus principais cabos eleitorais, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e saem na vantagem ao buscar os que preferem uma "terceira via", que sozinha, como sabemos, não decola.

Furar a bolha

Tomemos como exemplo as posturas de Bruno Engler (PL) e Rogério Correia (PT) no debate da Band, que foi o primeiro. Ambos moderaram seus tons. O objetivo deles: conquistar eleitores fora da bolha.

Aglutinando

Outras candidaturas já nasceram nessa lógica de passar uma imagem de equilibrio político para eleitores. É o caso de Mauro Tramonte (Republicanos) que une os apoios do ex-prefeito Alexandre Kalil (Republicanos) que tinha aliança com a esquerda e Romeu Zema (Novo) que é um político de direita.

Empatatados

A tendência de moderar também explica o fato de muitos candidatos estarem "embolados" nas pesquisas de intenção de votos na segunda posição. Como eles são dez e muitos querem eleitores de centro, eles acabam dividindo os votos dessa parcela da população.

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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast "Abrindo o Jogo", que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

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