Simões aposta em ataque a Cleitinho na esperança de virada e 2º turno
Candidatos investem em desconstrução do PT e deixam governador de lado

O debate entre os candidatos ao Governo de Minas na TV Globo, nesta terça-feira (29), expôs uma curiosa inversão de papéis. Candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD), que tradicionalmente seria o principal alvo dos adversários, passou praticamente ao largo da artilharia dos concorrentes. Os levantamentos divulgados às vésperas do debate ajudam a explicar o movimento: na Quaest, Cleitinho aparece com 37%, Patrus Ananias com 18% e Simões com 6%; na Atlas/Estadão, os números são 41,8%, 33,6% e 6,2%, respectivamente.
Simões, por sua vez, escolheu mirar justamente quem lidera a corrida. O governador explorou o ponto mais sensível da campanha de Cleitinho: os aliados políticos. Citou o presidente estadual do Republicanos, Euclydes Pettersen, e o suplente Alex Diniz (PL), além de mencionar a relação do senador com Marcelo Aro (PP), ex-secretário de Romeu Zema. No debate, Simões afirmou que Pettersen teria oferecido a ele uma propina em troca de um contrato com o Estado e acusou Diniz de sonegar R$ 200 milhões em impostos. Cleitinho rebateu as acusações e afirmou que a resposta será dada nas redes sociais. A estratégia do governador é clara: deslocar a discussão da própria administração para a imagem e as alianças do líder das pesquisas.
Enquanto Simões concentrava fogo em Cleitinho, os demais concorrentes encontraram outro alvo: Patrus Ananias. Gabriel Azevedo (MDB), por exemplo, explorou a atuação de Patrus e Alexandre Kalil (PDT) em temas como segurança pública e a Escola Plural. Em uma das interações mais incisivas da noite, depois de questionar Patrus sobre a retirada de material de campanha relacionado ao programa educacional, Gabriel afirmou: “Se o senhor for para o segundo turno, é um passo para Cleitinho virar governador”. A frase sintetizou uma das leituras possíveis do debate: para quem busca uma vaga no segundo turno, o petista passou a ser um obstáculo a ser enfrentado.
A dinâmica também produziu situações curiosas. Patrus foi pressionado pelas controvérsias envolvendo o ex-governador Fernando Pimentel e, ao longo do debate, fez poucas referências ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Flávio Roscoe (PL), por sua vez, teve uma interação desconfortável com Cleitinho (a quem deu bom dia no debate à noite) e deixou para o final as referências a Flávio Bolsonaro (PL), candidato do PL à presidência da República. Gabriel Azevedo, que chamou Cleitinho de amigo, manteve uma postura de confronto mais concentrada nos candidatos de esquerda. O resultado foi um debate em que o governador, apesar de ser o candidato à reeleição, não ocupou o centro das críticas — posição que acabou sendo aproveitada por ele para tentar pautar a conversa sobre Cleitinho.
No resumo da ópera, cada candidato parece ter entrado no debate com uma conta diferente para pagar. Simões precisa reduzir a distância para os primeiros colocados e, por isso, optou por atacar o líder e explorar seus vínculos políticos. Patrus tenta preservar a segunda posição e resistir aos ataques dos adversários que também buscam chegar à segunda etapa. E Cleitinho, isolado na liderança nos levantamentos mais recentes, tenta transformar a vantagem em uma vitória já no primeiro turno.
Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast 'Abrindo o Jogo', que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.



