Apesar de ter candidato a prefeito, grupo de Marcelo Aro está focado na chapa de vereadores
Quem tiver maioria na Câmara, poderá consquistar a presidência da Casa, além de ter mais poder para abrir CPIS e negociar cargos e decisões com o prefeito, independente de quem seja eleito para o cargo

Nem sempre o objetivo de um partido ou de um grupo político nas eleições municipais é eleger o candidato a prefeito. O Podemos, por exemplo, tem como candidato à PBH o senador Carlos Viana. Apesar de a candidatura do parlamentar ser prioridade para a executiva nacional, em âmbito municipal, a legenda está focada em fazer um grande número de vereadores. "Nosso foco é 100% na eleição de vereadores", disse uma das fontes do partido.
Família Aro
A articulação é feita pelo secretário da Casa Civil do Governo Zema, Marcelo Aro, que é conhecedo pela habilidade em montar chapas. Embora seja filiado ao Progressistas, partido que ele já presidiu, o ex-deputado federal tem domínio sobre pelo menos outras cinco siglas e tem parceiros políticos que estão concorrendo dentro de outras legendas. No entando, todos esses políticos pertencem à chamada 'Família Aro', que além da mãe e do pai de Marcelo, que são vereadora e deputado estadual, tem também os políticos que fazem parte do grupo.
A chapa encabeçada pelo Podemos é formada, oficialmente, por PRTB, PMN, DC e tem 214 candidatos. Contando com postulantes aliados que pertencem a outras legendas, a Família Aro pretende eleger pelo menos 15 vereadores, o que representa aproximadamente 30% dos assentos.
Presidência, CPI e cargos
Com essa quantidade de parlamentares, a bancada amplia a capacidade de pressão e negociação em relação à prefeitura e tem o poder, por exemplo, para abrir CPIs, o que pode ser feito com assinatura de um terço dos membros da casa.
Além do que, um grupo político grande tem facilidade em formar maioria para eleger o presidente da Câmara, o que significa o comando do poder legislativo municipal. Com essa estratégia, focada na eleição de vereadores, independente de quem seja o prefeito, seja ele aliado ou adversário, o grupo político sempre terá poder para influenciar na indicação de cargos no executivo e na tomada decisões da prefeitura. Caso contrário, a relação entre Prefeitura e Câmara vira uma guerra e o poder executivo pode ficar imobilizado.
Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast "Abrindo o Jogo", que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.



