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Aliados de Moraes preveem ‘batalha sangrenta’ no STF com novas revelações do Master

Eventuais elos de parentes e outros ministros com Vorcaro podem ser expostos e aprofundar a crise na Corte

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Alexandre de Moraes e André Mendonça
Alexandre de Moraes e André Mendonça • CARLOS ALVES MOURA

O julgamento do pedido de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, na próxima terça-feira (15), pode ser uma “batalha sangrenta”, segundo fontes relacionadas a ministros do Supremo Tribunal Federal. A apuração foi solicitada pelo ministro André Mendonça, que alega suspeita de possível conflito de interesses e eventual atuação indevida de Moraes em favor do Banco Master. O possível confronto tem irritado o ministro Edson Fachin, presidente da Suprema Corte.

O pedido foi feito com base no relatório da Polícia Federal, que teve o sigilo quebrado por Mendonça, e mostra que Moraes revisou o contrato do escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master. Foram reveladas também 52 mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes, em que o ex-banqueiro pede intermediação com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Vorcaro pergunta ainda sobre uma eventual saída do país. Como as respostas de Moraes são por visualização única, ele deve pedir a nulidade das provas, porque não é possível afirmar o que respondeu nem que houve favorecimento.

 

Além da defesa do próprio Alexandre de Moraes, ministros da ala ligada ao magistrado estariam dispostos a questionar elos de parentes de outros colegas com empresas e fundos ligados ao Banco Master. Uma das situações citadas seria a de Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques. O advogado teria recebido R$ 281 mil em 11 parcelas de R$ 25 mil, entre agosto de 2024 e julho de 2025. Os pagamentos foram feitos pela Consult Inteligência Tributária, empresa que recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master. Kevin era sócio de Gabriel Campelo de Carvalho, filho de Francisco Craveiro, fundador da Consult.

O ministro Luiz Fux também pode ser alvo, já que o filho, o advogado Rodrigo Fux, foi um dos convidados de Daniel Vorcaro, dono do Master, para um camarote na Sapucaí no ano passado, segundo matéria da Folha de S.Paulo.

Os filhos dos dois ministros negaram ter contato ou qualquer elo com Daniel Vorcaro e o Banco Master.

O ministro Dias Toffoli é outro que pode ser citado. O magistrado foi designado relator do Caso Master em 2025, mas deixou a relatoria em fevereiro. O ministro era sócio da Maridt Participações, empresa familiar que tinha participação no Resort Tayayá. Uma fatia do empreendimento foi adquirida pelo fundo Arleen, ligado à estrutura empresarial de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.

Embora não haja nenhuma comprovação de favorecimento ao Banco Master, a relação de André Mendonça com Daniel Vorcaro também poderá ser colocada sob suspeita. O ministro recebeu o ex-banqueiro em 14 de março de 2025, em São Paulo, por cerca de duas horas, no endereço do Instituto Iter, fundado pelo magistrado. Mendonça confirmou o encontro, mas disse que foi uma única vez e por iniciativa de Vorcaro. Após vir a público o encontro, André Mendonça anunciou a saída do quadro societário do Instituto Iter no dia 3 de setembro.

Agravamento da crise

O ministro Edson Fachin estaria preocupado com a possibilidade de os pares se digladiarem em público na próxima terça-feira (15). O temor é de que um eventual confronto público afete ainda mais a imagem do Judiciário. O presidente da Corte, segundo fontes ouvidas pela coluna, busca um desfecho menos barulhento para o caso e já conta com eventuais pedidos de vista que possam adiar o debate.

Suspeição

Já é esperado que Toffoli se declare suspeito para votar, mas aliados de Moraes articulam para que Fux e Nunes Marques façam o mesmo, o que poderia desmobilizar o julgamento e até evitar a guerra pública entre os ministros.

Vista

Existe a possibilidade de um pedido de vista que pode adiar o julgamento em até 90 dias. Mesmo que esse pedido seja feito, os ministros podem antecipar seus votos e, nesse caso, a série de exposições entre ministros também não está descartada.

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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast 'Abrindo o Jogo', que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

 

 

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