Itatiaia

Reviravoltas, traições e corpos ressuscitados da sucessão mineira

No saldo do prazo final das convenções partidárias, o PL lança Flávio Roscoe. O Republicanos de Minas tenta reverter a situação de Cleitinho. A Federação União Progressista retorna para a aliança de Mateus Simões. Em voo solo, o MDB de Gabriel Azevedo lança a única mulher a vice entre as chapas. O PDT de Kalil firma aliança com o PSDB de Aécio. Patrus Ananias terá Jarbas Soares Júnior na vice da chapa da Federação PT, PCdoB, PV, coligada com o PSB e a Federação Rede-Psol

Por
Palácio Tiradentes, sede do Executivo estadual. • Luiz Santana / ALMG.

Foram muitas reviravoltas neste 5 de agosto, véspera da data limite para o registro de chapas das convenções partidárias. Depois de assistir ao confronto entre a direção nacional do Republicanos e o senador Cleitinho (Republicanos), que voltou a anunciar que quer ser candidato, o PL firmou o seu próprio caminho: Flávio Roscoe é o candidato da legenda, avisou Flávio Bolsonaro (PL), em vídeo nas redes sociais.

A candidatura de Flávio Roscoe foi o primeiro grande abalo sobre o projeto político que vinha sendo articulado pelo ex-secretário de Estado de Governo, Marcelo Aro (PP). Ao longo da última semana, Marcelo Aro tentou atropelar Flávio Roscoe, na tentativa de consolidar o apoio do PL, do Republicanos e da Federação União Progressista em torno de seu próprio nome ao governo de Minas.

Com o PL posicionado, Marcelo Aro não conseguiu consolidar a planejada aliança entre o Republicanos e a Federação União Progressista, articulada em torno de seu nome ao governo de Minas. Aro tentou atrair o senador Cleitinho e Luís Eduardo Falcão para o seu projeto político. Descartando Falcão, a Cleitinho, Aro acenou que poderia ser o vice dele.

A Falcão, Aro prometia a vice da chapa encabeçada por ele próprio. Falcão e Cleitinho perceberam que estavam sendo usados. O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, também não gostou do jogo: rompeu o compromisso que havia afirmado com Marcelo Aro para apoiá-lo na disputa ao governo de Minas.

O presidente estadual do Republicanos, Euclydes Pettersen, que até então também sustentava Aro, passou a considerar o registro da chapa Cleitinho e Falcão, em confronto com a decisão da direção nacional do Republicanos. Este é um embate que ainda se anuncia para os próximos dias e poderá ser judicializado. Cleitinho se firmará como candidato?

Sem o PL e sem os Republicanos, a Federação União Progressista articulou o retorno à coligação do governador Mateus Simões (PSD). O União indicou Danilo de Castro para ser o vice da chapa. O PSD de Mateus Simões terá as candidaturas ao Senado de Carlos Viana (PSD) e do Superman (Novo). A Federação União Progressista lançou a candidatura avulsa de Marcelo Aro ao Senado. Aro, que rompeu com o ex-governador Romeu Zema (Novo) e com Mateus Simões, alegando não aceitar a candidatura de Carlos Viana ao Senado, retornou ao ponto de partida. Só que foi um retorno amargo, depois da derrota de seu projeto pessoal de viabilizar a sua candidatura como nome de convergência da direita e do campo bolsonarista em Minas.

Mateus Simões o chamou de traidor: Aro ocupou cargos centrais no governo Romeu Zema (Novo), entre eles, a secretaria de Estado de Governo, pasta que executou, entre fevereiro de 2025 e de 2026, R$ 2 bilhões em verbas orçamentárias de emendas para prefeituras. Segundo Mateus, desta pasta, Aro ganhou musculatura e uma rede de prefeitos para sustentar o seu projeto político.

Houve outras definições que dão a cara da disputa ao governo no segundo maior colégio eleitoral do Brasil. O PDT de Alexandre Kalil se coligou ao PSDB de Aécio Neves. O vice da chapa é o ex-deputado estadual do PSDB, Carlos Mosconi. Gabriel Azevedo é o candidato do MDB. A vice anunciada é a vereadora Maria Helena de Quadros Lopes.

No campo de Lula, encabeçada pelo deputado federal Patrus Ananias (PT), a Federação PT, PV, PCdoB firmou coligação com o PSB e com a Federação Rede-Psol. Por decisão da executiva nacional do PSB, Jarbas Soares Junior foi indicado vice na chapa de Patrus. A ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), foi o primeiro nome definido pela chapa para concorrer ao Senado Federal.

Áurea Carolina, do Psol, será o segundo nome ao Senado.
Este é o desfecho da primeira batalha brutal entre aliados e ex-aliados e adversários pela formação das chapas, antes do início do confronto aberto das campanhas. Corpos que haviam sido decapitados nas últimas semanas, se recusaram a morrer e voltaram ao jogo. E quem impulsionou a guilhotina corre o risco de ficar agora sem a própria cabeça.

 

 

Belo Horizonte