O que a ruptura do PL com Ratinho tem em comum com a sucessão mineira?
Sem conseguir forçar o governador do Paraná a compor com Flávio Bolsonaro na disputa presidencial, o PL irá apoiar na sucessão estadual Sérgio Moro, adversário de Ratinho

A orientação do PL em apoio ao senador Sérgio Moro (União) na sucessão de Ratinho Jr (PSD) no Paraná terá efeitos sobre o rumo do partido na sucessão de Minas Gerais. Paraná e Minas têm pré-candidatos à Presidência da República. Ambos têm adversários políticos que concorrem aos dois governos de estado, que neste momento lideram as pesquisas de intenção de voto.
No Paraná, o PL do senador Flávio Bolsonaro (RJ) rompeu com Ratinho porque ele será o provável indicado do PSD para concorrer à presidência da República. Flávio Bolsonaro e Valdemar da Costa Neto, presidente nacional do PL, tentaram pressionar Ratinho para compor na sucessão presidencial, oferecendo, inclusive a posição de vice na chapa. Como não deu certo, o PL decidiu apoiar para concorrer ao governo do Paraná o senador Sérgio Moro, adversário político de Ratinho no estado.
Ratinho ainda não anunciou quem será o seu candidato para a sua sucessão no Paraná: está dividido entre o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, e o seu secretário das Cidades, Guto Silva, ambos do PSD.
O governador Romeu Zema (Novo), até aqui, diz que não desistirá de concorrer à Presidência da República. Há um grupo no PL, comandado pelo deputado federal Nikolas Ferreira que defende o apoio do partido ao vice-governador do PSD, Mateus Simões, que assumirá o governo no próximo dia 22, com a desincompatibilização de Romeu Zema.
Embora esteja no PSD, Mateus Simões tem como compromisso primeiro o apoio à candidatura presidencial de Zema. Poderá dar respaldo também a Flávio Bolsonaro. Mas o PL quer um palanque forte para Flávio Bolsonaro no estado. Pelo momento, o desempenho de Mateus Simões nas pesquisas de intenção de voto ainda é visto com reservas entre liberais.
Além disso, a candidatura de Zema ao Planalto poderá tirar votos de Flávio Bolsonaro no estado. Por outro lado, o senador Cleitinho (Republicanos), que lidera as pesquisas de intenção de voto, já anunciou o respaldo a Flávio Bolsonaro.
Há um outro grupo no PL, sobretudo dos chamados “bolsonaristas raiz”, crítico ao governo Zema e a Mateus Simões, que defende que o partido caminhe com Cleitinho, que, nessa hipótese, poderia inclusive ser filiar à legenda, assim como fará Sérgio Moro no Paraná.
É a política em suas esperadas cambalhotas. Sérgio Moro foi nomeado ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, e deixou o governo em 20 de abril de 2020, quase um ano e meio depois da posse, acusando o então presidente da República de tentar interferir na Polícia Federal.
De herói do bolsonarismo por ter, como juiz da Lavajato arrastado Lula à prisão, Moro virou inimigo número 1. Mas, nada que a conveniência política não possa mudar: no segundo turno da sucessão presidencial de 2022, ele apoiou Jair Bolsonaro. Moro deverá agora se filiar ao PL e caminhar de braço dado com Flávio Bolsonaro, contra quem, no passado, também fez sérias acusações.
Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora