Hugo Motta caminha para reeleição, disputa será no Senado
O atual presidente da Câmara dos Deputados já reúne apoio do PT e de partidos do centro e centrão, somando cerca de 338 parlamentares, 81 a mais do que o mínimo para eleger-se em primeiro turno. Já no Senado, a candidatura de Rogério Marinho deverá ser anunciada nesta quarta, 4 em enfrentamento à reeleição de Davi Alcolumbre

Na Câmara dos Deputados, o atual presidente Hugo Motta (PB-Republicanos) caminha para a reeleição. Ele já tem o apoio de 338 deputados, 81 a mais do que o mínimo dos 257 votos necessários para se eleger em primeiro turno. O PT anunciou apoio a Motta, que já conta com a adesão do União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB-Cidadania, PSB, PDT e Podemos, além da federação formada por Solidariedade e PRD.
A esquerda somará, em 2027, 118 cadeiras na Câmara dos Deputados: 88 da Federação PT-PV-PCdoB, 15 do PSB e 15 da Federação Rede-Psol. A direita bolsonarista terá 121 parlamentares, e não é uma bancada coesa em torno das teses radicais: cerca de 50 parlamentares eleitos migraram do Centrão para o PL na janela partidária. Do confronto entre esquerda e direita bolsonarista, é o Centrão que decidirá o lado que terá maioria.
Após o primeiro turno das eleições, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) havia anunciado que não apoiaria a reeleição de Hugo Motta. Os bolsonaristas raiz acusam Hugo Motta de não ter aprovado o projeto de lei que propunha a anistia ampla aos condenados de 8 de janeiro, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A Câmara dos Deputados acordou em 2025 com o Senado e com o Supremo Tribunal Federal (STF) o apoio à proposta da Dosimetria, aprovada não com a anistia, mas com a redução das penas.
Mas, agora, com a fuga para os Estados Unidos, Valdemar da Costa Neto, presidente nacional do PL, assume a coordenação da oposição nesta disputa. Enquanto a bancada do PL, mais ligada à família Bolsonaro, propõe os nomes de Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Altineu Côrtes (PL-RJ), há um grupo pragmático que quer a composição, porque teme o alijamento de posições na Mesa Diretora e nas comissões temáticas, caso se confirme a vitória de Hugo Motta. Além disso, os mais pragmáticos consideram que, para o PL, é mais importante conquistar a presidência do Senado do que da Câmara.
No Senado, apesar de a senadora Tereza Cristina (PP-MS) ser um nome colocado, bolsonaristas querem a eleição do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro. A candidatura dele deverá ser anunciada nesta quarta-feira, 4 de novembro, quando a bancada do PL vai se reunir para anunciar uma posição em relação à sucessão da Câmara e do Senado. O foco dos bolsonaristas é o impeachment de Alexandre de Moraes, o que depende da presidência do Senado, que tem a prerrogativa para pautar a abertura de tais processos.
Logo após a conclusão do primeiro turno, o PL projetava o apoio de 45 senadores para 2027, mais do que a maioria do plenário de 81 cadeiras. Nessa conta se incluem desde bolsonaristas “orgânicos” — com forte alinhamento ideológico ao PL e à família Bolsonaro — quanto aliados de ocasião, que se juntaram ao grupo por conveniência política, após o primeiro turno, com a expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro.
É esse o grupo de senadores que o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), candidato à reeleição, mira. Com a vitória de Lula e fuga de Flávio aos Estados Unidos, há um enfraquecimento político da família Bolsonaro na Casa, apesar da eleição de Carlos Bolsonaro e de Michelle Bolsonaro. Apoiadores de Alcolumbre garantem que ele já tem os 41 votos necessários para se eleger. Vai ser uma disputa apertada. A eleição para as mesas diretoras da Câmara e do Senado será apenas em 1.º de fevereiro de 2027, mas ela já está sendo decidida.
Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora


