Crise na campanha de Flávio afeta sucessão mineira
Republicanos cogitam lançar Cleitinho à Presidência da República, críticas de Zema afastam mais o PL de Mateus Simões e indefinições no campo da direita aliviam a pressão sobre o campo lulista, também em aberto

A crise desencadeada na campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) provocou uma série de movimentos no campo da direita, a começar pelo desconforto dos bolsonaristas que se declaram “autênticos” com o silêncio de Michelle Bolsonaro, que não faz a defesa pública do enteado.
Além disso, ela tem feito gestos públicos de aproximação com o ministro Alexandre de Moraes, que têm sido interpretados nesse grupo “raiz” como uma tentativa de se colocar acima dos problemas da família, para preservar o seu próprio capital e posição política, caso venham a ser discutidas mudanças na cabeça da chapa.
Os pré-candidatos Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) percebem espaço para crescer e estão criticando publicamente o envolvimento de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro. Ao mesmo tempo, o presidente do Republicanos em Minas, Euclydes Pettersen, também cogita, em um ensaio, o lançamento do senador Cleitinho (Republicanos) como possível candidato à Presidência da República.
Todos esses movimentos têm consequência em Minas. O Republicanos e o PL já anunciaram coligação na sucessão mineira. Cleitinho lidera as pesquisas de intenção de voto e seria o candidato. No PL, Flávio Roscoe, presidente licenciado da Fiemg, e o ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli, poderão também encabeçar a chapa, caso Cleitinho não concorra.
Ao mesmo tempo, com as críticas de Zema a Flávio Bolsonaro, o PL de Minas aprofunda o afastamento do governador Mateus Simões (PSD), que concorre à reeleição. Um dos caminhos do PL, em princípio, seria o apoio a Mateus Simões, que é o candidato de Zema.
Tantas indefinições no campo da direita, em Minas, aliviam a pressão sobre o campo lulista, também indefinido. A Federação PT, PV e PC do B ainda aguarda a declaração formal do senador Rodrigo Pacheco (PSB) de que não concorrerá ao governo de Minas. Ao mesmo tempo, há quatro movimentos dentro desse campo neste momento. O apoio ao ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT) é considerado, mas não está definido: há resistência de correntes que decorrem da campanha ao governo de Minas de 2022.
A candidatura própria é outro movimento: dois são os nomes fortes no PT, a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, e o deputado federal Reginaldo Lopes. Contudo, Marília está na liderança da corrida ao Senado e tem o apoio de Lula para seguir em frente. Já Reginaldo Lopes é candidato à reeleição e a chapa proporcional da federação conta com a densidade eleitoral dele. O terceiro caminho seria a candidatura do empresário Josué Gomes da Silva, filiado ao PSB, mas há dúvidas se ele deseja concorrer.
O quarto movimento que se desenha é a construção de uma frente em torno do ex-presidente da Câmara Municipal, Gabriel Azevedo, que é do MDB. Ele tem o apoio do PV e de lideranças históricas do PT, além do PCdoB. Nessa articulação em torno do MDB, podem estar o PSB, com a indicação de Jarbas Soares Júnior, ex-procurador-geral de Justiça, e Marília Campos, para a primeira vaga ao Senado.
Alguns caminhos, nenhuma definição. Neste momento, a federação PT-PV-PcdoB, em Minas, está à espera de Lula, quem realmente irá decidir. Até lá, outros coelhos poderão sair dessa cartola.
Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora