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Em busca da reeleição em SP, Tarcísio tenta encerrar greve de estudantes que já dura um mês

Estudantes das três principais universidades estaduais paulistas estão em greve; a paralisação dos alunos já dura um mês e não tem previsão de término

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Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas • Marcello Casal Jr / Agência Brasi

Estudantes da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) criticam cortes de verbas que teriam acontecido durante a gestão de Tarcísio e exigem melhorias em benefícios concedidos aos universitários. O Governo nega os cortes e afirma que, desde 2023, repassou mais de R$ 64,3 bilhões às instituições, cerca de 28% a mais que o valor investido por João Doria na então gestão do PSDB.

A gestão de Tarcísio afirma que mantém diálogo com os estudantes por meio das reitorias das três instituições. O governo diz que a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo está acompanhando as tratativas. No entanto, os movimentos estudantis não dão sinais de que vão encerrar a paralisação e denunciam supostos excessos cometidos pela Polícia Militar.

Os movimentos afirmam que estão protestando contra a precarização da educação pública paulista e cortes de verbas em áreas como infraestrutura universitária, assistência estudantil e condições de permanência nas universidades estaduais. Em outra manifestação, vereadores da capital paulista alegam que foram agredidos por estudantes.

Em uma reunião realizada nesta semana, no Palácio dos Bandeirantes, o Governo de São Paulo recebeu estudantes da USP, Unesp e da Unicamp para discutir a pauta do movimento grevista. Na reunião, além das reivindicações, os estudantes pediram uma retratação pública sobre a desocupação da USP, que foi comandada pela Polícia Militar no último dia 10.

Universitários e representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE) denunciam que ocupavam a reitoria da USP, no campus do Butantã, na Zona Oeste da capital paulista, quando foram retirados com golpes de cassetetes, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo. Em comunicado publicado nas redes sociais, o DCE-USP disse que os PMs formaram "um corredor polonês para espancamento" e prenderam quatro estudantes.

Já a PM afirma que 150 pessoas foram retiradas da reitoria e ressaltou que ninguém ficou ferido. Os policiais disseram que encontraram entorpecentes, armas brancas e objetos contundentes, como facas, canivetes, estiletes, bastões e porretes. Segundo a corporação, “eventuais denúncias de excesso serão rigorosamente apuradas”.

A PM disse que os "quatro estudantes foram detidos por dano ao patrimônio público e alteração de limites". Em um primeiro momento, antes da desocupação da PM, a USP classificou a invasão do prédio da reitoria como uma "escalada de violência" que provocou "danos ao patrimônio público". Após a ação da PM, em um novo posicionamento, a USP disse que não foi informada previamente sobre a desocupação da reitoria, ressaltou ser defensora do diálogo e repudiou qualquer tipo de violência.

Na última quarta-feira (20), os estudantes afirmam que 30 mil pessoas participaram de um protesto que percorreu as principais ruas e avenidas da capital até o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo. A gestão de Tarcísio diz que mantém um canal de diálogo aberto com os estudantes e ressalta que está na busca de soluções para as demandas apresentadas.

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Correspondente da Rádio Itatiaia em São Paulo. Apresentador do quadro Palavra Aberta e debatedor do Conversa de Redação. Ingressou na emissora em 2023. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. Na Band, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na Band News FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do Band News TV. Vencedor de nove prêmios de jornalismo. Em 2023, foi reconhecido como um dos 30 jornalistas mais premiados do Brasil.