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YouTube amplia combate a deepfakes e libera ferramenta gratuita para celebridades

Nova tecnologia permite identificar vídeos falsos com IA e solicitar remoção, mesmo sem canal na plataforma

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Divulgação

O YouTube lançou uma ferramenta gratuita que ajuda celebridades a identificar deepfakes, que são conteúdos manipulados por inteligência artificial que imitam rostos e vozes reais.

A novidade faz parte de um recurso de proteção de imagem introduzido recentemente pela plataforma. A função permite localizar vídeos em que a aparência de uma pessoa foi alterada ou recriada com uso de IA, oferecendo também a possibilidade de pedir a remoção do material.

Inicialmente voltado a políticos, jornalistas e autoridades públicas, o sistema agora foi ampliado para incluir artistas da indústria do entretenimento, como atores e músicos. O acesso é feito por meio de agências de talentos e representantes, e não exige que a celebridade tenha um canal ativo na plataforma.

Segundo especialistas, a mudança representa um avanço importante. Para Alon Yamin, diretor-executivo da Copyleaks, a iniciativa marca uma virada na forma como grandes plataformas lidam com a proteção de identidade na era da inteligência artificial generativa.

Ele alerta que a tecnologia capaz de reproduzir rosto, voz e gestos evoluiu mais rápido do que os mecanismos de segurança, abrindo espaço para usos indevidos por pessoas mal-intencionadas.

Inteligência artificial preocupa indústria cinematográfica

O lançamento da ferramenta acontece em meio a uma onda de vídeos hiper-realistas criados com inteligência artificial. Aplicativos como o Sora, da OpenAI, facilitaram a produção desse tipo de conteúdo, incluindo simulações com artistas já falecidos, como Michael Jackson e Elvis Presley.

Em outro caso recente, o diretor irlandês Ruairí Robinson chamou atenção ao criar um vídeo extremamente realista em que Brad Pitt e Tom Cruise aparecem lutando em um terraço. O material foi gerado com a ferramenta Seedance 2.0, da ByteDance.

A repercussão foi imediata em Hollywood. Charles Rivkin, presidente da Motion Picture Association, criticou duramente a prática e acusou empresas de desrespeitarem direitos autorais.

Proteção da identidade

Para representantes da indústria, a nova ferramenta do YouTube chega em boa hora. Jason Newman, da Untitled Entertainment, afirmou que a iniciativa ajuda artistas a protegerem o que têm de mais valioso.

Segundo ele, a identidade de um artista vai além da imagem física. Inclui sua expressão, presença e forma de se comunicar com o público. O desenvolvimento do recurso também responde a críticas antigas de celebridades, que apontavam dificuldades no processo de denúncia e remoção de deepfakes dentro da plataforma.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.