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YouTube oferece detecção de 'deepfakes' a artistas de Hollywood

Medida responde a uma série de episódios que geraram inquietação nos Estados Unidos

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Imagem meramente ilustrativa • Pixabay/Reprodução

Em uma ofensiva direta contra o uso indevido de inteligência artificial, o YouTube anunciou a ampliação de sua ferramenta gratuita de detecção de deepfakes, agora disponível para celebridades, atores e músicos de Hollywood. O recurso, que permite identificar rostos modificados ou gerados artificialmente para imitar pessoas reais, busca conter a crescente onda de usurpação de identidade na era da IA generativa.

Lançada originalmente no mês passado com foco em funcionários governamentais, candidatos políticos e jornalistas, a tecnologia passa agora a ser acessível à indústria do entretenimento por meio de agências de talentos e representantes. Um diferencial importante é que os artistas podem utilizar o sistema para localizar e solicitar a remoção de conteúdos fraudulentos mesmo que não possuam um canal próprio na plataforma de vídeos do Google.

Para Alon Yamin, diretor-executivo e cofundador da Copyleaks, a iniciativa marca um ponto de inflexão na proteção da identidade digital. Segundo o especialista, as tecnologias de reprodução facial e vocal avançaram mais rápido do que as salvaguardas necessárias, criando brechas exploradas por agentes mal-intencionados. Ele ressalta que a detecção robusta tornou-se obrigatória para evitar a disseminação de desinformação, manipulação de mercados e danos reputacionais.

Pressão da indústria e desafios técnicos

A medida responde a uma série de episódios que geraram inquietação em Hollywood. Recentemente, ferramentas como o Seedance 2.0, da chinesa ByteDance, permitiram a criação de clipes hiper-realistas, como o vídeo do diretor Ruairí Robinson que simulava uma luta entre Brad Pitt e Tom Cruise. A situação levou Charles Rivkin, presidente da Motion Picture Association (MPA), a exigir a interrupção imediata dessas atividades, acusando a ByteDance de violação de direitos autorais.

Além de simulações com atores vivos, a proliferação de vídeos de ícones falecidos, como Michael Jackson e Elvis Presley — frequentemente gerados por aplicativos de uso geral como o Sora, da OpenAI — intensificou o debate. Vale notar que, após o volume massivo de conteúdos gerados, a OpenAI anunciou no mês passado o encerramento do aplicativo Sora.

Proteção do patrimônio artístico

Especialistas do setor, como Jason Newman, da Untitled Entertainment, defendem que o YouTube age corretamente ao fornecer a tecnologia sem custos. Para Newman, o rosto, o corpo e a forma de expressão de um artista constituem seu patrimônio essencial, que deve ser protegido contra manipulações.

Embora o YouTube reconheça que a ferramenta não eliminará totalmente os deepfakes, a expectativa é que ela reduza drasticamente seu alcance. A plataforma afirmou estar trabalhando em conjunto com as principais agências de talentos para aprimorar continuamente a precisão dos sistemas e garantir procedimentos de remoção mais ágeis, atendendo a reclamações antigas de celebridades sobre a complexidade de denunciar conteúdos manipulados.-

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