OpenAI adia chatbot com conteúdo adulto após críticas e preocupações com segurança
A iniciativa, conhecida internamente como 'modo Citron', vinha gerando desconforto dentro da própria empresa

A OpenAI decidiu suspender, por tempo indeterminado, os planos de lançar um chatbot com conteúdo sexual explícito. A informação foi confirmada pela empresa na quinta-feira (26), em meio a uma onda crescente de preocupações sobre os possíveis impactos sociais e riscos à imagem da companhia.
A iniciativa, conhecida internamente como 'modo Citron', vinha gerando desconforto dentro da própria organização. Segundo relatos, funcionários questionaram se o projeto estaria alinhado com a missão da empresa de desenvolver tecnologias que tragam benefícios concretos para a sociedade.
Além das críticas internas, investidores também demonstraram cautela. A avaliação predominante era de que os danos à reputação poderiam superar eventuais ganhos financeiros, especialmente em um momento de forte escrutínio sobre o uso responsável da inteligência artificial.
A decisão de interromper o projeto ocorre em um contexto estratégico. A OpenAI tem buscado concentrar esforços em áreas consideradas prioritárias para manter sua liderança em um mercado cada vez mais competitivo, deixando de lado iniciativas vistas como secundárias ou controversas.
No ano anterior, a empresa havia sinalizado uma flexibilização nas regras do ChatGPT, permitindo a geração de conteúdo erótico para usuários adultos verificados. A proposta foi apresentada como uma forma de reconhecer a autonomia desse público. Ainda assim, o avanço da ideia encontrou resistência.
A suspensão do chatbot adulto coincide com outra mudança recente. Na mesma semana, a OpenAI anunciou o encerramento do Sora, seu aplicativo de criação de vídeos, que vinha sendo criticado por facilitar a produção em massa de conteúdos considerados de baixo valor.
Esses movimentos refletem um momento delicado para o setor de tecnologia. Grandes plataformas enfrentam pressões regulatórias e processos judiciais relacionados aos efeitos de seus produtos sobre crianças e adolescentes.
Casos recentes também aumentaram o alerta global. No ano passado, um chatbot de outra empresa foi alvo de críticas após ser utilizado para gerar imagens falsas de natureza sexual envolvendo pessoas reais, incluindo menores de idade.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.


