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IA é a nova infraestrutura das empresas e implantá-la não é tão simples quanto parece

O primeiro passo não é escolher a melhor plataforma ou o modelo de linguagem mais avançado. É entender onde a empresa desperdiça energia

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A IA é a nova infraestrutura das empresas e implantá-la não é tão simples quanto parece • Dragos Condrea / Magnific.com/

Durante anos, a transformação digital foi tratada como uma corrida por novas ferramentas. A cada desafio surgia um novo software: um CRM para vendas, um ERP para gestão, uma plataforma para atendimento e outra para marketing. A tecnologia era vista como um conjunto de aplicações independentes que ajudavam as pessoas a trabalhar melhor.
Com a Inteligência Artificial, essa lógica muda completamente.

A maioria das empresas ainda utilizam IA como um acelerador de produtividade individual. Ela escreve textos, resume reuniões, cria apresentações e responde perguntas. Tudo isso gera ganhos importantes, mas representa apenas uma pequena parte da transformação que está em curso.

O verdadeiro potencial da IA aparece quando ela deixa de ser uma ferramenta utilizada por pessoas e passa a ser a infraestrutura que conecta processos, dados e decisões de toda a organização.

É uma mudança de paradigma. A pergunta deixa de ser "como faço esta atividade mais rápido?" e passa a ser "este processo ainda precisa existir da forma como foi desenhado?".

Essa diferença parece sutil, mas muda completamente a forma de implantar Inteligência Artificial.

O primeiro passo não é escolher a melhor plataforma ou o modelo de linguagem mais avançado. É entender onde a empresa desperdiça energia. Quais jornadas geram maior atrito para clientes e colaboradores? Onde existem filas, retrabalho, dependência excessiva de pessoas ou processos que poderiam ser automatizados?

Depois disso, é preciso identificar quais sistemas armazenam as informações necessárias. Afinal, uma IA só consegue tomar boas decisões quando está conectada aos dados corretos. Sem contexto, ela apenas conversa. Com contexto, ela trabalha.

O passo seguinte é analisar quais solicitações realmente movimentam a operação. Em praticamente toda empresa existe uma concentração de demandas repetitivas: consultas, atualizações cadastrais, emissão de documentos, acompanhamento de processos, dúvidas recorrentes e tarefas administrativas. São exatamente essas atividades que mais se beneficiam da automação inteligente.

A partir desse entendimento, a organização define quais ações a IA pode executar de forma autônoma. Não apenas responder perguntas, mas consultar sistemas, abrir chamados, iniciar fluxos, atualizar informações, gerar documentos e conduzir processos completos.

Isso não significa eliminar as pessoas da operação. Pelo contrário. Empresas maduras definem claramente os momentos em que a inteligência humana continua indispensável. Casos complexos, negociações, decisões estratégicas e situações excepcionais permanecem sob responsabilidade dos profissionais. A IA assume escala; as pessoas concentram seu tempo onde geram mais valor.

Por fim, a implantação precisa ser conduzida como qualquer transformação estrutural: medindo resultados e expandindo gradualmente. As empresas que mais avançam não tentam automatizar tudo ao mesmo tempo. Elas escolhem uma jornada crítica, validam indicadores, corrigem o que for necessário e replicam o modelo para novos processos.

Esse talvez seja o maior equívoco do mercado hoje. Muitas organizações acreditam que implantar IA significa liberar acesso a um chatbot ou contratar uma licença corporativa. Isso melhora a produtividade individual, mas raramente transforma o negócio.

A vantagem competitiva dos próximos anos não estará em quem possui acesso à Inteligência Artificial, essa tecnologia já está disponível para praticamente todos. Ela estará em quem conseguir reorganizar sua operação para funcionar sobre uma camada permanente de inteligência.

Da mesma forma que hoje nenhuma empresa imagina operar sem internet, sistemas de gestão ou computação em nuvem, em pouco tempo será difícil imaginar uma organização relevante funcionando sem uma infraestrutura de IA capaz de interpretar dados, executar processos e apoiar decisões em tempo real.

As empresas que compreenderem essa mudança primeiro não apenas trabalharão mais rápido. Elas passarão a operar de forma diferente. E é essa diferença que separará os líderes dos seguidores na próxima década.

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Henrique Borges, empreendedor, investidor e fundador da Somos Young, empresa brasileira líder no setor educacional e uma das referências no país na aplicação de inteligência artificial para jornadas de relacionamento, CRM, captação, atendimento e geração de receita. Com formação em Publicidade e Propaganda e pós-graduação em Inovação, Henrique atua no mercado digital desde 1999, liderando projetos de marketing, transformação digital, marketing direto e growth para grandes marcas e instituições, como Petrobras, Iveco, Mondaine, Minas Arena, Governo do Estado de Minas Gerais, GoPro, Airbnb e Canais Globosat, entre outros grandes players. À frente da Somos Young, construiu uma trajetória voltada à transformação de negócios por meio de tecnologia, dados, inteligência artificial e estratégia. A empresa atua em projetos para alguns dos principais grupos de educação do país, como Unifenas, Fumec, Uniube, PUCPR e Rede Claretiano. No futebol, Henrique lidera algumas das principais iniciativas de relacionamento com torcedores baseado em IA no Brasil, com projetos desenvolvidos para clubes como Cruzeiro, Corinthians, Vasco, Grêmio, Vitória, Bahia, Sport e Coritiba, entre outros. Henrique é reconhecido por defender uma visão prática e estratégica da inteligência artificial: não como uma ferramenta isolada, mas como uma nova camada de inteligência capaz de transformar operações, ampliar receitas e redesenhar companhias inteiras por meio da tecnologia. Atualmente, também desenvolve iniciativas de conteúdo e autoridade sobre o impacto da inteligência artificial nos negócios, no trabalho e na sociedade, incluindo o podcast O Último Humano, disponível no Spotify.