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Revelação sobre cometa 3I/ATLAS surpreende até mesmo cientistas

3I/ATLAS pode ter sido ejetado de seu sistema planetário de origem devido a interações gravitacionais com outros planetas

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Imagem ilustrativa. • Pixabay/Reprodução

Cientistas liderados por Martin Cordiner, cientista planetário e astroquímico do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, revelaram nesta semana que o cometa interestelar 3I/ATLAS é o objeto mais antigo já detectado no sistema solar. Formado há cerca de 10 a 12 bilhões de anos, sua composição química única oferece novas pistas sobre as condições de sistemas planetários primordiais, conforme estudo publicado na revista Nature.

Com um diâmetro de aproximadamente 2,6 km, o cometa 3I/ATLAS é provavelmente o mais antigo objeto conhecido a viajar pelo nosso sistema solar, afirmou Cordiner. Ele é apenas o terceiro objeto interestelar já detectado na região.

O cometa teria se formado em um ambiente extremamente frio, cerca de -243 graus Celsius, muito diferente das condições em que a Terra e outros planetas do nosso sistema se desenvolveram há 4,5 bilhões de anos. "Nunca vimos antes um objeto como o 3I/ATLAS", destacou Cordiner.

As medições, realizadas com o Telescópio Espacial James Webb, focaram na proporção de isótopos – diferentes versões de elementos químicos como hidrogênio e carbono – observados no 3I/ATLAS.

Os isótopos de hidrogênio forneceram evidências sobre a temperatura e a radiação no ambiente em que o 3I/ATLAS se formou, enquanto os de carbono revelaram pistas sobre a composição da nuvem de gás interestelar que deu origem ao cometa e a seu sistema planetário de origem.

A água do cometa apresentou cerca de 30 vezes mais deutério – um isótopo do hidrogênio – que outros cometas do sistema solar. As proporções de isótopos de carbono também divergiram das encontradas em objetos do sistema solar e em nuvens interestelares.

Para Cordiner, o 3I/ATLAS é provavelmente um fragmento remanescente do processo de formação planetária em torno de outra estrela.

"Nossas observações com o Telescópio Espacial James Webb nos dizem que o ambiente de formação planetária do sistema hospedeiro do 3I/ATLAS era distinto do nosso próprio sistema solar. Provavelmente era mais frio e menos rico em metais, além de ser mais intensamente irradiado por raios ultravioleta e cósmicos", explicou o cientista.

Apesar disso, o 3I/ATLAS é rico em moléculas orgânicas, incluindo aquelas que contêm carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio e enxofre. Cordiner apontou que isso "mostra que, apesar de uma origem fria e distante, os elementos voláteis necessários para a vida como a conhecemos eram abundantes nesse disco distante de formação planetária".

A composição de carbono do 3I/ATLAS indica uma formação há cerca de 12 bilhões de anos, durante um período de intensa formação estelar em sua região. Como o universo começou há aproximadamente 13,8 bilhões de anos com o Big Bang, o 3I/ATLAS data de uma época em que o cosmos tinha apenas cerca de 13% de sua idade atual.

Os pesquisadores supõem que o cometa se formou na Via Láctea, mas sua idade não descarta uma origem em outra galáxia. "Eu havia previsto que as distâncias intergalácticas eram muito vastas, mas, na verdade, um objeto interestelar veloz pode levar apenas um bilhão de anos para chegar aqui vindo de nossos vizinhos galácticos mais próximos, as Nuvens de Magalhães", comentou Cordiner.

O 3I/ATLAS pode ter sido ejetado de seu sistema planetário de origem devido a interações gravitacionais com outros planetas, embora uma colisão de algum tipo também seja considerada uma possibilidade.

O 3I/ATLAS é o terceiro objeto interestelar detectado, após o 1I/'Oumuamua (2017) e o 2I/Borisov (2019). Este cometa interestelar segue intrigando cientistas e astrônomos.

Atualmente, o 3I/ATLAS se aproxima da órbita de Saturno, com previsão de ultrapassar a órbita do planeta anão Plutão em 2029 e deixar a fronteira externa do sistema solar por volta de 2035.

Apesar de especulações sobre sua natureza extraterrestre, os pesquisadores estão confiantes de que o 3I/ATLAS é um objeto natural. "Bons cientistas estão sempre abertos a atualizar seu conhecimento, mas temos muito cuidado ao avaliar as evidências para cada hipótese", disse Cordiner. "Neste caso, as evidências eram claras desde o início de que estávamos observando um objeto semelhante a um cometa, e com o tempo essa interpretação foi confirmada por observações subsequentes."

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