EUA tem submarino de guerra capaz de ficar submerso por meses
Projetados para missões oceânicas e costeiras, essas embarcações combinam propulsão nuclear de vida útil contínua e sistemas de camuflagem acústica avançada

O submarino nuclear da classe Virginia é uma embarcação militar de ataque rápido (sigla SSN) operada pela Marinha dos Estados Unidos. Diferente dos veículos aquáticos movidos a combustíveis convencionais, essa classe é alimentada por um reator nuclear de bordo, gerando energia ininterrupta para que a unidade permaneça submersa por meses e atravesse oceanos sem necessidade de reabastecimento.
O programa começou a ser desenvolvido após o término da Guerra Fria para substituir progressivamente a envelhecida classe Los Angeles, entregando à frota naval um recurso de inteligência, rastreamento e ataque furtivo projetado para operar com o mesmo grau de eficiência tanto em fossas oceânicas quanto em águas litorâneas rasas.
A classe Virginia cumpre a função de submarino de ataque rápido, o que a difere da classe Ohio. Enquanto os navios Ohio são "boomers" — encarregados de transportar mísseis balísticos intercontinentais equipados com ogivas nucleares para garantir o poder de intimidação e resposta atômica do país —, a classe Virginia é uma caçadora tática.
Seu arsenal inclui tubos para o lançamento de torpedos pesados MK48 e sistemas de lançamento vertical para mísseis de cruzeiro Tomahawk, voltados para o bombardeio preciso de alvos terrestres ou embarcações na superfície.
Atualmente, os Estados Unidos opera uma frota em torno de 70 submarinos, sendo todos eles movidos a energia nuclear. O inventário abrange 14 unidades da classe Ohio, além de pelo menos 23 unidades já entregues da moderna classe Virginia.
Eles operam de forma indetectável através da combinação de propulsão pump-jet de baixo ruído, revestimentos sintéticos que engolem ondas de sonar (revestimento anecoico) e sistemas de absorção de choque internos que isolam as vibrações das turbinas do contato direto com o mar.
O fator técnico que diferencia a embarcação é o seu reator nuclear selado. A engenharia da plataforma assegura que o combustível nuclear inserido na construção dure cerca de 33 anos, cobrindo todo o ciclo de vida útil da unidade sem exigir os complexos e longos períodos em docas secas para a troca de urânio, uma limitação que afetava os modelos das décadas anteriores. Em tamanho, as unidades padrão medem em torno de 115 metros de comprimento e cerca de 7.800 toneladas.
O sistema de propulsão e a operação furtiva no fundo do mar
A eficácia militar e o valor de inteligência do submarino dependem integralmente de sua capacidade de suprimir ruídos e evitar a detecção no fundo do oceano. A engenharia de camuflagem acústica integra três tecnologias principais:
- Revestimento anecoico do casco para neutralizar as ondas de sonar ativas emitidas por navios e submarinos adversários;
- Propulsores tipo pump-jet: esse formato aloca as pás do propulsor dentro de uma tubulação cônica, controlando o fluxo de entrada e saída de água;
- Navegação eletrônica e suspensão de maquinário.
Uso dos submarinos Virginia
Essas embarcações atuam como infraestruturas navais polivalentes e frequentemente indetectáveis. No patrulhamento dos oceanos Atlântico e Pacífico, a marinha desloca os submarinos Virginia para o rastreamento em tempo real da movimentação de armadas de países adversários, escaneando o fundo do mar em busca de assinaturas acústicas de embarcações estrangeiras.
A classe Virginia pode operar de forma padronizada em profundidades superiores a 240 metros (800 pés). Em movimento e debaixo d'água, os navios podem atingir velocidades superiores a aproximadamente 46 km/h.
Pablo Paixão é graduado em Jornalismo, pela UFMG, e em Cinema e Audiovisual, pelo Centro Universitário UNA BH. Tem experiência em diferentes áreas da comunicação e marketing. Com passagem pela TV UFMG, na Itatiaia atuou inicialmente nas editorias de Entretenimento, Cultura e Minas Gerais. Atualmente, colabora com as editorias Pop e Carnaval.



