Greve dos professores: ‘Alimentação aumentou demais na associação’, diz líder comunitária do Aglomerado da Serra sobre crianças sem aula

Kika Pereira disse ainda que entidade na comunidade atende a cerca de 400 famílias, por mês, - o que perfaz a 4 mil pessoas - principalmente idosos e mães solo

Aglomerado da Serra, em BH

A greve dos professores de Belo Horizonte entrou no 29º dia paralisação nesta sexta-feira (4) e está impactando na vida de pessoas carentes. É o caso dos que moram no Aglomerado da Serra, na região Centro-Sul de Belo Horizonte.

A líder comunitária Kika Pereira disse à Itatiaia que a situação está difícil, porque os pais não têm onde deixar os filhos durante o dia para ir trabalhar.

Kika contou que a associação dentro da comunidade atende a cerca de 400 famílias, por mês, - o que perfaz a 4 mil pessoas - principalmente idosos e mães solo. Ela salientou que no local há três escolas municipais, cinco Emeis e vivem 144 mil pessoas.

Na tarde desta sexta-feira, professores e trabalhadores da rede municipal de educação fazem assembleia para decidir se encerram ou dão continuidade à greve.

Segunda audiência de conciliação

A segunda audiência pública de conciliação entre os professores da rede municipal de Belo Horizonte e a prefeitura foi realizada nesta sexta-feira (4), na sede do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), e durou cerca de três horas sem acordo.

A categoria está em greve desde 6 de junho. Uma nova assembleia está marcada para esta tarde (4), às 16h, em frente à sede da prefeitura, na avenida Afonso Pena, para definir se os educadores aceitam a proposta apresentada — o que pode encerrar a paralisação.

O principal ponto da negociação é o reajuste de 2,4%, que os professores reivindicam com aplicação retroativa a janeiro deste ano — referente aos meses de janeiro, fevereiro, março e abril — com base na nova data-base da categoria.

A prefeitura, por sua vez, propôs que esse reajuste seja pago apenas em 2026, junto ao reajuste inflacionário estimado entre 4,5% e 5%. Diante disso, os representantes dos professores sugeriram a antecipação para 2025.

A secretária municipal de Educação, Natália Araújo, afirmou que o índice de 2,4% se refere a uma pendência do governo anterior e não a uma dívida da atual gestão. Segundo ela, o município enfrenta limitações orçamentárias e precisa manter a responsabilidade fiscal.

Ainda assim, a administração se comprometeu a analisar alternativas para encerrar a greve, incluindo a possibilidade de rodar uma folha suplementar que permita recompor os dias parados — com trabalho em horários extras, inclusive aos sábados e domingos.

Alex Araújo é formado em Jornalismo e Relações Públicas pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH) e tem pós-graduação em Comunicação e Gestão Empresarial pela Universidade Pontifícia Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Já trabalhou em agência de publicidade, assessoria de imprensa, universidade, jornal Hoje em Dia e portal G1, onde permaneceu por quase 15 anos.

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