O homem
De acordo com a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), Isaque Trindade se apresentou espontaneamente na delegacia na manhã desta quarta-feira (9). Ele recebeu voz de prisão e foi conduzido à Delegacia Especializada em Homicídios (DEH) de Santa Luzia, onde prestou depoimento.
Familiares contaram que os episódios de violência começaram há cerca de seis anos. “A gente foi chamado lá porque ele disse que ela estava passando mal. Quando chegamos, vimos que não era nada disso. Cheguei a discutir com ele, mas minha esposa na época me acalmou para não ter mais confusão. Ele era usuário de drogas também, então a gente nunca sabe até onde essas pessoas podem chegar”, relatou um parente à Itatiaia.
Após uma agressão, o casal chegou a se separar, e o homem se mudou para São Paulo. “Mesmo assim, ela continuou ajudando ele, tentando tirar ele dessa vida. Ele não quis mudar, foi embora de novo depois de ter problemas em São Paulo. Lá, ele também foi acusado de um homicídio contra uma garota de programa. Quando voltou para Minas, ela trouxe ele de volta, e ele dizia que tinha resolvido tudo, que não tinha culpa”, contou o familiar.
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Foi então que Maria da Penha retomaram o relacionamento e a companheira conseguiu um emprego para Isaque, mas as brigas continuavam. Ainda segundo a família, durante a discussão de ontem, ela foi sufocada até a morte, teve as mãos amarradas e o corpo escondido debaixo da cama.
“Muito cruel. Ela era uma pessoa muito boa, tinha um coração enorme. Ajudou muito ele, fez de tudo para ele sair dessa vida [das drogas]. Infelizmente, ele enterrou ela hoje, acabou com a nossa família. Ela acreditava na melhora dele, mas infelizmente ele mostrou que não tinha melhora nenhuma”, disse outro parente.
Lei Maria da Penha
O nome da vítima é o mesmo que deu origem à Lei nº 11.340/2006, que completou 18 anos em agosto de 2024. A norma foi batizada em homenagem à cearense Maria da Penha, vítima de abusos e de dupla tentativa de feminicídio cometida pelo marido.
Sancionada em 7 de agosto de 2006, a Lei Maria da Penha é considerada um marco no combate à violência doméstica e familiar contra a mulher. Com ela, as punições para agressores tornaram-se mais rigorosas, além da criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e de mudanças no Código Penal, no Código de Processo Penal e na Lei de Execução Penal.
Entre os instrumentos previstos pela legislação estão as medidas protetivas de urgência, que podem proibir o agressor de se aproximar da vítima. O descumprimento pode resultar em prisão imediata.