MPMG tenta desde 2017 interditar asilo que desabou no bairro Jardim Vitória, em BH

Após o desabamento do imóvel, que deixou doze mortos, promotoria aponta que processos judiciais não foram julgados a tempo

Corpo de Bombeiros resgatou 8 vítimas de com vida

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) afirmou nesta sexta-feira (6) que lutava judicialmente pela interdição da Casa de Repouso Pró-Vida há quase dez anos, apontando falhas críticas de segurança e higiene. O imóvel desabou na madrugada da desta quinta-feira (5) no bairro Jardim Vitória, Região Nordeste de Belo Horizonte.

O desabamento deixou 12 mortos, entre eles 11 idosos e o filho do proprietário, Renato Duarte Terrinha Ramos, conhecido como Renatinho. Outras oito foram resgatadas com ferimentos pelo Corpo de Bombeiros, que encerrou os trabalhos de busca nos escombros na manhã desta sexta (6).

Histórico de negligência

De acordo com o MPMG, a Promotoria de Justiça de Defesa da Pessoa Idosa de Belo Horizonte realizou dez vistorias na unidade ao longo dos últimos nove anos. Em todas as inspeções, foram constatados problemas críticos de habitabilidade, higiene, salubridade e segurança.

A promotora de Justiça Jacqueline Ferreira Moisés, responsável pelo caso, destacou que o cenário era alarmante: “Em todas as vezes foram verificadas irregularidades de natureza gravíssima. A cada inspeção, as irregularidades se mantinham, e o número de idosos acolhidos crescia”, afirmou.

Laudos técnicos ignorados

A promotora Jacqueline Ferreira Moisés reforça que os laudos técnicos foram unânimes em apontar que a instituição não possuía condições mínimas para funcionar como uma Instituição de Longa Permanência para Pessoas Idosas (ILPI).

Um documento emitido em 2024 foi “categórico” ao concluir que o imóvel não oferecia estrutura física adequada para abrigar e garantir o cuidado dos idosos, colocando a vida dos internos em risco físico e psicológico constante.

Processo sem julgamento

Apesar dos esforços reiterados do Ministério Público em reforçar o pedido de fechamento junto à Justiça, o processo permaneceu parado, sem um desfecho judicial.

“Contudo, apesar de todo o esforço, o processo permanece sem ter sido julgado, mesmo com o alerta da Promotoria de Justiça acerca da gravidade da situação dos idosos acolhidos na instituição”, lamentou a promotora Jacqueline Ferreira Moisés.

O caso reacende o debate sobre a fiscalização de instituições de acolhimento e a celeridade do Judiciário frente a denúncias de risco iminente à vida.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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