Mais de mil unidades habitacionais foram vendidas nos três primeiros meses de 2025 em BH e Nova Lima. É o quinto ano consecutivo em que as vendas superam mil unidades em menos de 100 dias.
Foram 1087 unidades vendidas - embora considerado positivo, o número é 33% menor do que as vendas registradas no mesmo período do ano passado.
A Economista-chefe do Sinduscon - Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais, Ieda Vasconcelos explica porque quase sete em cada dez vendas em BH acontecem nas regiões Centro-Sul, Oeste e Pampulha.
“São regiões com poder aquisitivo maior, e neste momento com taxa de juros mais elevados, os lançamentos se concentram mais nas regiões de melhor padrão aquisitivo”, analisa.
O presidente do Sinduscon-MG, Raphael Lafetá, fala dos desafios do setor.
“Imagina que um prédio que está sendo lançado hoje, os juros estavam em 10% na época que o empresário idealizou o produto, e hoje nós estamos a 14%. Então, a insegurança, aumento de taxa de juros, a insegurança com essa novo IOF aí que trouxe mais encargos para atividade da construção civil. Tem também agora a questão dos cartórios, que o mês de abril, o 1º de abril começou aí a nova tabela dos cartórios que onerou demais as atividades do nosso setor”, afirma.
Do compacto ao luxo
Duas em cada dez unidades habitacionais vendidas são do modelo compacto - também chamado de loft ou estúdio. Antigamente, se chamava de kitnet. São apartamentos entre 40 e 50 m².
Esse tipo de moradia representa 19,6% das vendas em BH e Nova Lima nos três primeiros meses do ano, segundo dados do Sindicado da Indústria da Construção Civil.
Presidente do Sinduscon-MG, Raphael Lafetá explica porque este modelo de construção está em alta.
“Os apartamentos estão ficando pequenos ou compactos por conta de custo, custo com relação ao terreno, custo com relação aos materiais em mão de obra. E a pessoa quer morar bem, quer morar num bairro próximo ao centro, num bairro onde ela se desloque a pé para o trabalho. E para isso acontecer hoje, os apartamentos estão ficando compactos”.
A Economista-chefe do Sinduscom, Ieda Vasconcelos afirma que esta é uma tendência de mercado nas grandes cidades brasileiras.
“Nós estamos vendo o incremento dos lançamentos e das vendas dessas unidades que nós chamamos de padrão compacto, não só em Belo Horizonte, mas no país como um todo nós observamos isso. Inclusive São Paulo é pioneiro nesse incremento de vendas e lançamentos. Particularmente em Belo Horizonte, o que nós podemos falar sobre isso? Essas unidades, elas estão com uma localização melhor. Então, elas têm um custo-benefício maior”, explica.
Do outro lado desse cenário está os apartamentos considerados de luxo e alto luxo - com valor superior a dois milhões de reais. Estes imóveis representam 10,5% das vendas nos três primeiros meses do ano - foram 114 unidades comercializadas em BH e Nova Lima.
“Essas pessoas que adquirem tem um poder aquisitivo maior, essas pessoas conseguiram fazer uma economia ou conseguiram gerar valor com o seu trabalho a ponto de comprar a vista esses imóveis. E são imóveis também que as construtoras acabam financiando com um prazo pequeno, curto e as entradas são grandes, então é um mercado muito específico”, explica.
Destaque na geração de emprego
Seis em cada dez empregos gerados em Belo Horizonte vieram da Construção Civil. Os dados, relativos aos três primeiros meses de 2025, mostram que a capital passa por um intenso movimento de construção de novas unidades habitacionais, e também de grandes obras públicas - como a ampliação do metrô.
Presidente do Sindicato da Construção Civil de Minas Gerais, Raphael Lafetá diz que mesmo com um salário inicial de mais de R$ 2,4 mil, ainda tem sido difícil atrair mão de obra para o setor.
“Hoje a média do salário de entrada é R$ 2.420,00. A dificuldade de contratação ainda continua, é um emprego mais braçal, é um emprego onde você tem que estar exposto ao sol, você está numa atividade mais de campo. E essa moçada nova está querendo mais a internet, rede social e tudo, mas é um emprego digno e é um emprego importante para a sociedade”, pondera.