O debate sobre a mudança na escala de trabalho no Brasil, atualmente 6x1, ganha nova perspectiva com um texto do economista e professor Ângelo Cavalcanti, da Universidade Estadual de Goiás.
O especialista apresenta uma série de ‘lorotas históricas’, demonstrando como ideias outrora consideradas absurdas se tornaram realidade ao longo do tempo.
O texto de Cavalcanti percorre momentos cruciais da história brasileira, desde a colonização até os dias atuais, destacando frases que refletem a resistência às mudanças em diferentes épocas. Por exemplo, em 1888, a frase ‘Libertar escravos? E como ficará o trabalho?’ ilustra o temor infundado sobre o fim da escravidão.
Do passado ao presente: resistência às mudanças
Cavalcanti ressalta como questões trabalhistas enfrentaram oposição ao longo dos anos. Em 1932, a ideia de uma jornada de oito horas era vista como algo que ‘irá desmantelar as empresas brasileiras’. Similarmente, em 1943, a proposta de 30 dias de férias enfrentou resistência dos empresários.
O texto também aborda temas como o voto feminino, a criação do SUS, e a eleição de líderes de origem operária, todos inicialmente vistos com ceticismo. Essas referências históricas servem para contextualizar o atual debate sobre a mudança na jornada de trabalho 6x1.
Reflexões sobre o debate atual
Ao concluir com a frase ‘Querem alterar a jornada de trabalho de seis dias? Não tem como dar certo’, referente a 2024, o economista convida à reflexão sobre como ideias inicialmente rejeitadas podem se tornar realidade e até mesmo trazer benefícios à sociedade.
O debate sobre a escala de trabalho no Brasil continua, com manifestações ocorrendo, como o recente protesto na Rodoviária de Brasília contra o fim da jornada 6x1. A discussão promete ser longa e complexa, envolvendo interesses de trabalhadores e empregadores, bem como considerações sobre produtividade e qualidade de vida.