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Caso Pavesi: médico que matou e retirou órgãos de criança vai para prisão domiciliar

Álvaro Ianhez, de 77 anos, deixou a Penitenciária P2, em Tremembé, na tarde desta quarta (28); atividades médicas seguem suspensas

Álvaro Ianhez foi condenado por matar e retirar os órgãos do menino Paulo Pavesi em abril de 2000

O médico Álvaro Ianhez, condenado por matar e retirar os órgãos de Paulo Pavesi em 2000, deixou o presídio nesta quarta-feira (28) após passar pouco mais de um mês preso. O profissional foi beneficiado com um habeas corpus e vai para a prisão domiciliar (relembre o Caso Pavesi no fim da matéria).

O habeas corpus foi aprovado durante votação do Superior Tribunal de Justiça (27), na terça-feira (27). A relatoria do pedido ficou a cargo do ministro Rogério Schietti Cruz, da 6ª Turma. Cerca de 24 horas depois, Álvaro Ianhez deixou a Penitenciária Dr. José Augusto César Salgado, conhecida como ‘presídio dos famosos’, em Tremembé, São Paulo. A informação foi divulgada pelo g1 e confirmada pela Itatiaia.

Com a decisão, Álvaro Ianhez deverá ficar em prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica até o julgamento de um recurso que pode determinar a revisão da decisão que o condenou. As atividades médicas do condenado seguem suspensas.

Em abril de 2022, Álvaro Ianhez foi condenado por participar da morte de Paulo Pavesi. De acordo com a Justiça, ele forjou o laudo de morte do garoto para que seus órgãos pudessem ser retirados quando ele ainda estava vivo. A pena total é de 21 anos e oito meses por homicídio qualificado por motivo torpe, com aumento de pena pelo fato de a vítima ser menor de 14 anos.

O médico, porém, só foi preso em maio de 2023, com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) expedindo o mandado de prisão após a resolução de uma questão burocrática envolvendo o Supremo Tribunal de Federal (STF) e de Justiça (STJ).

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Relembre o caso

O caso aconteceu em Poços de Caldas, no Sul de Minas, em abril de 2000. Paulo Pavesi caiu de uma altura de dez metros na casa onde morava e foi levado ao hospital. Um exame falso apontou que o garoto teria tido morte encefálica, abrindo caminho para que ele tivesse os órgãos removidos.

Durante as 24 horas em que ficou no hospital até a declaração da morte cerebral, o menino recebeu medicamentos diversos, foi submetido a longa anestesia geral e recebeu doses excessivas de Dormonid, um forte sedativo.

A denúncia aponta ainda que o garoto não recebeu atendimento durante toda a noite do dia 20 e manhã do dia 21 de abril de 2000, quando apresentou grave hipotensão sistólica. Os médicos acusados sabiam que ele era um potencial doador de órgãos, e trataram do assunto antes de a morte ser confirmada.

O garoto ainda estaria vivo no momento em que os órgãos foram retirados, e segundo o exame de corpo de delito, os exames que comprovariam a morte causaram lesões que agravaram o estado de saúde dele.


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Jornalista formado pela UFMG, com passagens pela Rádio UFMG Educativa, R7/Record e Portal Inset/Banco Inter. Colecionador de discos de vinil, apaixonado por livros e muito curioso.