Nadadora desde os três anos de idade, a mineira Maria Eduarda Porto, de 15 anos, precisou abandonar as piscinas aos 11, após um diagnóstico médico. O seu único rim estava 76% comprometido. Apenas um transplante poderia salvar a vida da jovem atleta. Em 2020, o sonho de encontrar um doador se realizou e Duda conseguiu um novo órgão. Após se recuperar da cirurgia, a adolescente voltou a nadar e, agora, busca recursos para representar o Brasil na sua primeira Olimpíadas dos Transplantados 2024, em Atlanta, nos Estados Unidos.
Neste ano, a competição espera reunir mais de 10 mil atletas de todo o mundo. A mãe da jovem, a dona de casa Valeska Porto, conta que sonha em ver a filha na competição. “Tudo o que eu puder fazer para ver a minha filha feliz, eu faço. É o sonho dela. Para quem passou por tudo o que ela passou, fez tantas cirurgias e foi desenganada tantas vezes, hoje é uma adolescente muito feliz”, descreve, com orgulho, a mãe.
Com 15 anos, Duda já passou por 19 cirurgias
A vida da nadadora foi repleta de desafios desde antes mesmo de nascer. Valeska conta que a filha nasceu com uma má formação no canal ureter direito. A condição fez com que Duda precisasse nascer prematura, aos seis meses, e já enfrentar uma cirurgia no primeiro dia de vida.
“O médico me disse que talvez não tiraria ela com vida e que ela já estava em estado grave. Duda já nasceu praticamente morta. Logo que ela nasceu, fizeram uma massagem cardíaca, a entubaram e levaram para o CTI (Centro de Terapia Intensiva). Ela ficou 45 dias no CTI e, nesse meio tempo, teve duas paradas cardíacas”, disse Valeska.
De acordo com a mãe, os médicos disseram que como ela havia nascido aos seis meses, o sistema urinário ainda não estava completamente formado. Por isso, ela iria precisar passar por um processo longo, de várias cirurgias. Nos 15 anos de vida, Duda já enfrentou 19 cirurgias, incluindo uma para retirar o rim direito, quando tinha apenas três anos. A mais recente, foi há três meses.
“Eu entreguei minha filha 19 vezes para um cirurgião, sem saber se ela iria voltar”, desabafou a mãe.
Adolescente recebeu um transplante de presente de Natal
Em 2020, quando tinha 10 anos, o único rim de Duda - que tinha apenas 40% de funcionalidade - piorou. Agora, ela precisaria de um transplante. Enquanto um doador compatível não era encontrado, ela se submeteu a hemodiálise. Nessa época, Valeska diz que a filha chegou a pesar 14 quilos.
Mas no dia 18 de novembro de 2020, tudo mudou. “Ela estava terminando a sessão de hemodiálise, quando a enfermeira perguntou: ‘Duda, você já escreveu sua cartinha para o Papai Noel?’. E ela respondeu: ‘Já, pedi um rim, é a única coisa que eu queria’. Dez minutos depois o meu celular tocou e era a noticia de que um doador apareceu. Nesse mesmo dia a Duda foi para a sala de cirurgia e fez o transplante”, contou Valeska, emocionada.
O milagre de Natal só foi possível devido a uma outra família, que vivia a cerca de 200 quilômetros da adolescente, em Ipatinga, no Vale do Aço. A família de uma adolescente de 13 anos, que morreu devido a um Acidente Vascular Cerebral (AVC), autorizou a doação de órgãos da menina. E foi o rim dela que salvou a vida de Duda.
“Eu costumo dizer que o sim de uma família salvou a vida da minha filha”, diz a mãe.
Família arrecada dinheiro para competições de natação
Após se recuperar do transplante, Duda voltou a fazer o que mais ama: nadar. Empolgada com o retorno da filha, Valeska passou a compartilhar imagens da adolescente nas redes sociais. As postagens chamaram atenção da liga de transplantados, que viu na garota a possibilidade de ganhar a competição.
“A Duda é uma transplantada que nada, que tem possibilidade de trazer essa medalha para o Brasil”, afirma a mãe. Já está confirmada a participação da adolescente na versão nacional dos jogos em Brasília, em setembro. Mas agora, a família busca arrecadar dinheiro para que Duda possa competir nos Estados Unidos, em julho deste ano.
“A gente fez uma primeira vaquinha e conseguimos arcar com os custos da documentação. Já tiramos o passaporte, fomos ao Rio de Janeiro tirar o visto. A Duda também faz bijuterias para vender. Mas elas têm um valor baixo e a gente não consegue patrocínio. Não existe polícia de esportes para transplantados”, comenta.
A família vive apenas com o salário do pai, que trabalha como caminhoneiro autônomo. “Eu trabalhava como técnica em contabilidade, mas larguei tudo para cuidar dela quando ela nasceu. Natação é um esporte caro, tem a roupa, o óculos. A gente não tem dinheiro”, conta.
A vaquinha para ajudar a nadadora mineira a realizar o sonho de representar o Brasil nos Jogos Olímpicos de Transplantados de 2024, em Atlanta, nos Estados Unidos, pode ser acessada neste
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