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Após novos tremores, Sete Lagoas vai receber 8 sismógrafos em parceria com universidade

Moradores de Sete Lagoas, na região Central, relataram barulhos de explosões e tremores em suas casas durante a madrugada desta terça-feira (16)

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Sismógrafos são aparelhos capazes de medir tremores de terra

Divulgação

A Prefeitura de Sete Lagoas, na região Central de Minas Gerais, vai retomar uma parceria com a Universidade de Brasília (UnB) e oito novos sismógrafos serão instalados no município a partir da próxima quinta-feira (18). Moradores da cidade voltaram a relatar a ocorrência de abalos na madrugada desta terça (16), confirmados pelo Centro de Sismologia da USP, que informou magnitude de 2.3 na escala Richter.

“Na próxima quinta-feira serão instalados 8 sismógrafos, dos mais modernos do Brasil, para montar uma rede sismológica de captação de dados em Sete Lagoas e na região”, confirmou o secretário municipal de Meio Ambiente, Edmundo Diniz. Em 2022, o município teve sete equipamentos medidores instalados, mas apenas um está em operação atualmente.

“Haverá uma ampliação dessa rede, de caráter permanente, no sentido de que todas as hipóteses dos abalos sejam estudadas, verificadas, confirmados os reais motivos e descartados o que não é verdade. Se houver denúncias de detonações ou de abatimento de solo para utilização de água. Todas essas hipóteses serão tratadas e confirmadas, ou negadas, em razão do estudo técnico”, completou o secretário.

‘Parece conflito de guerra’

Moradores de Sete Lagoas relataram que barulhos fortes, semelhantes a explosões foram sentidos em diferentes pontos da cidade durante a madrugada desta terça-feira (16). Os sons eram seguidos de tremores, que faziam as janelas das casas tremerem.

“Por volta das 2 e 26 da madrugada, tivemos um estrondo, uma explosão, com um tremor apavorante. Para as pessoas que estavam dormindo, como eu e minhas vizinhas... falei com elas de manhã e todo mundo reclamou, assustadas e com medo. É uma sensação agoniante, muito ruim, da casa estar tremendo e do teto desabar sobre você. É uma sensação que ue imagino ser semelhante a pessoas que vivem em conflito de guerra. São explosões, estrondos muito grandes, altos e seguido de um tremos que faz as janelas balançarem, dos bichos saírem correndo para se esconder. Sete Lagoas vem sofrendo com isso nos últimos anos, sem nenhuma resposta que realmente explique ou justifique essa ocorrência”, relatou uma sete-lagoana.

Outros moradores também comentaram o episódio em redes sociais.

‘Movimentação é pequena’, diz especialista

Professor de Sismologia na Universidade de São Paulo (USP), George Sand diz que as ocorrências na cidade se intensificaram a partir de 2015, mas que as movimentações registradas na cidade são pequenas.

“Em 2015 a gente começa a ter uma recorrência de tremores, em 2016, também. E mais recentemente, em 2020, 2022, com atividade sísmica. Esses tremores são de pequena magnitude, provavelmente, a gente sempre relata que a atividade sísmica é devido a alguma movimentação de falha geológica na região, que vem sofrendo alguma pressão e essa falha provoca alguma movimentação pequena. A atividade sísmica está acontecendo também, com magnitudes menores, em Itacarambi, Caraívas... o que a gente está vendo são magnitudes sempre abaixo de três”, explica.

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O especialista diz, ainda, que são remotas as possibilidade de tremores muito significativos na região

“Não há relatos de tremores de magnitudes consideráveis na região. Isso não impede dizer que possa acontecer. Não há previsão de acontecimento de grandes terremotos, mas é uma possibilidade muito remota de tremores de magnitudes consideráveis”, completa George Sand.

Teve algum dano? Chame a Defesa Civil

O secretário municipal de Meio Ambiente, Edmundo Diniz, lembra aos moradores, que não há como prever a ocorrência de novos tremores, mas diz que o histórico dos abalos registrados na cidade mostra que o período chuvoso é mais propenso ao registro desses tremores. “Em razão da terra mais encharcada e pesada em função da chuva”, acredita.

Ainda segundo o representante da prefeitura, moradores que tiverem observado algum dano estrutural nas edificações devem acionar a Defesa Civil.

“A Defesa Civil, junto da Secretaria de Obras, está fazendo monitoramento de todas as pessoas que fazem contato e solicitam para que os engenheiros responsáveis façam uma análise para ver se existe alguma correlação entre o dano (fissura ou trinca) que surgir e os abalos. Isso está sendo analisado caso a caso e, se houver alguma correlação entre danos aparentes e abalos, eles serão atestados e certificados pelo município”, garante.

O telefone de contato da Defesa Civil de Sete Lagoas é o 153 ou o 3776-7890 (Plantão 24 horas).

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Mineiro de Urucânia, na Zona da Mata. Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto, onde segue como aluno no curso mestrado em Comunicação. Na Itatiaia desde 2016, faz reportagens diversas, com destaque para Política e Cidades. Comanda o PodTudo, programa de debate aos domingos à noite na Itatiaia.
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