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Homem que matou sargento em BH é indiciado por homicídio quadruplamente qualificado

O PM Roger Dias da Cunha foi morto com um tiro na cabeça no bairro Novo Aarão Reis

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À esquerda, Welbert de Souza Fagundes, de 26 anos, suspeito de atirar no sargento Dias (à direita)

Reprodução/TJMG | Reprodução/Redes sociais

Welbert de Souza Fagundes, de 26 anos, suspeito de matar o sargento Roger Dias da Cunha com um tiro na cabeça em Belo Horizonte, foi indiciado por homicídio quadruplamente qualificado por motivo torpe. A informação foi divulgada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), na manhã desta segunda-feira (15). O policial era casado, tinha uma filha recém-nascida e havia completado 10 anos de carreira na PMMG.

O suspeito é apontado como o responsável por disparar várias vezes à queima roupa contra a cabeça do sargento da Polícia Militar, Roger Dias da Cunha, na última sexta-feira, no bairro Novo Aarão Reis, Região Norte de Belo Horizonte. De acordo com a Polícia Civil, a investigação mostrou que Welbert ignorou todas as ordens de parada dadas pelo sargento Dias. Ele pediu que o jovem deitasse no chão várias vezes, mas ele desobedeceu.

Em um dado momento, o suspeito chegou a levantar a mão esquerda como sinal de rendição. Porém, com a mão direita ele pegou uma arma de fogo que estava dentro da bermuda. Welbert atirou a primeira vez contra a cabeça do policial, que conseguiu disparar um tiro em defesa. Logo depois, o sargento foi atingido por um segundo disparo também na cabeça e começa a cair no chão. Ele ainda é alvejado mais uma vez, no momento em que o suspeito começa a correr.

Welbert também foi indiciado por tentativa de homicídio triplamente qualificada - em relação ao outro policial militar que compunha a guarnição do sargento Dias -, e também pelos crimes de desobediência, de resistência e pelo porte ilegal de arma de fogo. Ele também é investigado pelo roubo anterior, que causou a perseguição que resultou na morte do sargento.

O suspeito ficou internado no Hospital Risoleta Neves, mas já teve alta e se encontra em uma unidade prisional.

Comparsa também foi indiciado

O outro suspeito de participação no crime, Geovanni Faria de Carvalho, de 34 anos, foi indiciado por duas tentativas de homicídio. A primeira é uma tentativa de homicídio qualificada, em relação aos policiais militares. A segunda é uma tentativa de homicídio simples, relativa a um motoboy que ele atingiu enquanto fugia. Segundo a PC, o suspeito fez uma manobra perigosa e consciente para desviar do bloqueio policial. Nesse momento, ele atingiu um motociclista, que caiu e voou em cima do capô do carro de Geovanni.

“Ele só não foi atingido gravemente ou fatalmente por circunstâncias alheias. Então, foi considerado o dolo eventual. Ou seja, ele assumiu o risco de matar esse motociclista”, afirmou a delegada da Polícia Civil, Ariadne Heloise Coelho, da 3º Delegacia Especializada de Homicídios de Venda Nova.

Geovanni também foi indiciado por outros crimes, como desobediência, resistência e tráfico de drogas. Ele segue internado no Hospital Risoleta Neves e aguarda alta.

Suspeito estava foragido da ‘saidinha’

Welbert tem 18 boletins de ocorrência registrados contra ele, por crimes como roubo, ameaça e tráfico de drogas. O Ministério Público foi contra a saída dele do sistema prisional, mas o benefício foi concedido pela juíza da Vara de Execuções Penais de Ribeirão das Neves, Bárbara Isadora Santos Sebe Nardy.

A juíza justificou sua decisão com base no atestado de conduta carcerária e disse que Welbert não havia cometido nenhuma falta grave, embora o Ministério Público tivesse apontado o episódio do furto de veículo. O MPMG recorreu da decisão junto ao Tribunal de Justiça e não recebeu nenhum retorno.

A Associação dos Magistrados Mineiros (Amagis) emitiu, neste domingo (7), comunicado em que disse ser “lamentável” vincular o ataque a tiros ao policial militar Roger Dias da Cunha à decisão que concedeu o benefício da saída temporária ao suspeito do crime. Segundo a entidade, o caso reflete problemas como a desigualdade social e a existência de uma sociedade “cada vez mais violenta”. Leia a nota na íntegra.

Prisão mantida

Em 7 de janeiro, Welbert de Souza Fagundes e outro suspeito de participação no crime, Geovanni Faria de Carvalho, de 34, tiveram a prisão em flagrante convertida para preventiva, após a realização de audiência de custódia no Fórum Lafayette, em Belo Horizonte.

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Formou em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.
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