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Demolição de cinema mineiro tombado pelo patrimônio histórico é investigado

Construído há mais de 70 anos, antigo Cine Teatro Pax passava por reforma, mas acabou sendo demolido; prefeitura alega que tomou atitude por segurança

A Prefeitura de Itabirito, na região Central de Minas Gerais, tem até 10 dias uteis para se manifestar junto ao Ministério Público, que notificou o município pedindo explicações sobre a demolição do Cine Teatro Liz Bastos, antigo Cine Teatro Pax, um bem tombado pelo Patrimônio Histórico Municipal. Um inquérito civil pela 1ª Promotoria de Justiça foi aberto.

Conforme o vereador Rene Butekus (PSD), que foi quem fez a denúncia ao MP, o Conselho Consultivo e Deliberativo do Patrimônio Cultural e Natural de Itabirito tinha autorizado uma obra de reforma, determinando que a fachada e estrutura do prédio fossem preservadas, o que não aconteceu, já que a construção foi inteiramente demolida na última quarta-feira (18).

“Abriram algumas frestas na parte de cima do teatro e, com as chuvas de janeiro, parte da fachada caiu. Por isso, foi preciso demolir essa parte de cima. Contudo, a parte de baixo estava em perfeita condição. Fomos pegos com uma surpresa: eles demoliram toda a parte frontal do imóvel, local que diz respeitando ao Conselho do Patrimônio Histórico da cidade”, explicou.

O vereador aponta que o prejuízo para a memória cultural do município. “Isso é um crime contra o patrimônio público tombado do município”, acrescentou. O risco de desabamento não era de conhecimento do vereador e outras autoridades. “Conversando com os moradores, todos se mostraram surpresos”, finalizou.

Em nota, a Prefeitura de Itabirito informa que foi notificada pelo Ministério Publico, nessa terça-feira (24) e que vai se manifestar junto ao órgão no prazo concedido. Ainda segundo a nota, na última quarta-feira foi feita a demolição da área de tijolos cerâmicos maciços da parede frontal do Cine Teatro Liz Bastos.

A prefeitura esclarece que a intervenção se fez necessária depois da fachada do prédio ter sido afetada pelo desabamento da marquise, em janeiro deste ano.” Diante do fato, constatou-se que o meio mais seguro de dar sequência à demolição da cobertura seria a forma mecanizada. A fim de viabilizar o uso dos equipamentos necessários e garantir a demolição correta da estrutura, foi preciso fazer uma abertura na parede frontal”, informou.

No entanto, segundo a nota da prefeitura, durante a execução dessa abertura, um dos elementos estruturais de concreto, que estava fragilizado pelo desabamento ocorrido em janeiro.

Em nota, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) confirmou a abertura de um inquérito civil por parte da 1ª Promotoria de Justiça com a curadoria de Patrimônio Histórico e Cultural.

Formou em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.
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