Marinez e Amanda de Almeida, primas, são bem próximas e, a partir da manhã desta quarta-feira (26), terão uma ligação ainda mais forte. Amanda sofre de problemas renais e vai receber um dos rins de Marinez. O transplante será realizado pela Santa Casa em Belo Horizonte, instituição que mais realiza esse tipo de procedimento em Minas, no Dia Nacional de Doação de Órgãos
A preparação para a cirurgia começou na noite dessa terça-feira (26), quando chegaram ao hospital. De acordo com Mateus Furtado, médico responsável pelo procedimento, a cirurgia da doadora deve durar cerca de uma hora e meia e será usada uma técnica minimamente invasiva chamada de laparoscopia. A previsão é de que o transplante comece por volta das 10h.
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As duas vieram de Goiânia para Belo Horizonte em razão das particularidades do caso. Elas são da religião Testemunhas de Jeová, que não permite o transfusões sanguíneas. Assim, qualquer tipo de intercorrência na cirurgia do transplante poderia ser um risco a mais caso ocorresse uma hemorragia. A Santa Casa, porém, tem experiência com esses procedimentos e aceitou realizar o transplante, como explica a nefrologista do setor, Silvana Miranda.
“A cirurgia de transplante renal é uma cirurgia com baixas intercorrências, mas existe o risco de sangramento e necessidades de reabordagem. Por vezes, para se manter uma perfusão adequada, até do próprio órgão, faz-se necessário a hemotransfusão, mas no caso dos pacientes que são Testemunha de Jeová, eles não podem ser hemotransfundidos. A equipe cirúrgica vai ter uma atenção especial com todos os pacientes, mas com Testemunha de Jeová essa atenção tem que ser redobrada. Na Santa Casa a gente usa um aparelho que chama ‘cell saver’, que reutiliza, em caso de sangramento, o sangue do próprio paciente para voltar para os vasos sanguíneos”, explica.
Como será a vida delas após a cirurgia
O cirurgião relatou que a doadora vai passar por um processo de convalescência, com previsão de 30 a 40 dias para voltar as atividades normalmente. Passado esse período, ela segue com vida normal porém precisa manter um cuidado específico para não ganhar peso e não desenvolver problemas de saúde.
A prima que vai receber o rim vai sair de um estágio de doença para se tornar uma paciente transplantada, e com isso, vem os cuidados.
“Ela precisa tomar as medicações de forma adequada e terá um controle regular de saúde no hospital. A Amanda vai ter um ganho de qualidade de vida absurdo, ela deixa de precisar da terapia de substituição e passa a fazer somente o controle médico rotineiro”, relata.
Transplante inter-vivos
A doutora Silvana Miranda explicou que o transplante inter-vivos pode ser feito tanto para doar rim quanto fígado e pulmão. De acordo com a legislação brasileira, o doador tem que ser necessariamente uma pessoa saudável e tem que ter um parentesco de até quarto grau.
“Se por acaso for uma relação de amizade, não ter esse parentesco, é possível desde que passe para uma avaliação judicial”, completa.
Histórico
Amanda de Almeida, de 32 anos, descobriu o problema renal congênito em 2019 e, desde então, sabia que o órgão poderia parar de funcionar a qualquer momento. Ela tinha uma probabilidade alta de rejeição ao órgão de um doador. Então, conseguir um novo rim pela fila do transplante demoraria muito mais do que o normal. Nesse momento, a prima e massoterapeuta, Marinez de Almeida, de 35, decidiu fazer exames para checar a compatibilidade.
“Fizemos o exame de compatibilidade genética porque na fila do transplante seria impossível, ela rejeitou 80% da população e a gente ser compatível é uma Raridade. Desde os 15 anos sou doadora de órgãos”, relata.
Agora há poucas horas de receber o novo órgão, Amanda mal pode esperar pelas chances de retomar um pouco da normalidade na rotina.
"É muito bom saber que existem pessoas assim com ela, porque o que eu vejo na Marinez um amor incondicional, que a gente não vê hoje nas pessoas no mundo em geral. As vezes não temos palavras para agradecer, porque só obrigada é pouco pelo que ela tá fazendo por mim. É muito bom saber que eu vou poder voltar a ter uma vida mais normal possível poder trabalhar poder cuidar do meu filho”, celebra.
Segundo dados divulgados pela agência Fique Sabendo, 3.429 pessoas aguardavam por uma doação de rim em Minas Gerais. No país são mais de 37 mil pacientes renais de um total de 40 mil que aguardam um órgão para o transplante. Outras 25 mil pessoas aguardam por Um transplante de córnea.