Moradores de Congonhas, na região Central de Minas Gerais, se assustaram com uma forte tempestade de poeira que atingiu a cidade na manhã desta quinta-feira (13). Imagens cedidas à Itatiaia mostram uma intensa onda de poeira que chega a tampar a vista do horizonte.
Por ser uma cidade com forte atividade mineradora e industrial, tempestades de poeira costumam ser frequentes em Congonhas. Entretanto, a desta quinta-feira foi mais intensa que o comum, surpreendendo os moradores.
“A combinação de ventos, tempo seco e área sem vegetação devido ao grande porte das minas da CSN e outras. Acontecem várias por ano, mas em 2023 é a primeira das fortes, porque as condições climáticas foram de certa forma favoráveis até hoje. Ainda não havia ventado forte e ocorreu chuva atípica até o mês de junho, mas de agora em diante só para quando chover”, relata o Diretor de Meio Ambiente e Saúde da União das Associações Comunitárias de Congonhas (Unaccon), Sandoval de Souza.
Ainda segundo o líder comunitário, moradores de Congonhas agora lutam para impedir a ampliação da área de mineração na cidade. Sandoval comenta que cerca de 40% da área verde da cidade já foi desmatada, mas que as mineradoras estão solicitando ampliação da área de trabalho.
Em agosto de 2022, moradores e líderes comunitários de Congonhas compareceram a uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais pedindo o bloqueio do projeto de ampliação da Mina Casa de Pedra, da CSN Mineração.
Atualmente, a mineradora já tem autorização dos órgãos ambientais para aumentar a capacidade de produção de minério de ferro de 10 milhões para 15 milhões de toneladas por ano. Entretanto, um relatório feito pelo Instituto Histórico e Geográfico de Congonhas e elaborado com dados das estações de monitoramento atmosférico instaladas em 13 pontos do município, aponta que a qualidade do ar foi considerada boa em apenas três dias do mês de julho de 2022.
Conforme o estudo, com a ampliação da área de mineração haveria aumento da presença de ozônio e partículas inaláveis no ar, contribuindo para uma piora na saúde da população, que pode apresentar tosse seca e ardor nos olhos e problemas sérios de respiração.
Posicionamento
A reportagem da Itatiaia solicitou um posicionamento da CSN Mineração, que afirmou que “realiza uma série de ações para reduzir a emissão de particulados” como “umectação de vias, aspersão de pilhas e utilização de polímeros”.
“Além disso, a Companhia realiza de forma ininterrupta um trabalho de cobertura vegetal dos taludes e de todas as demais áreas, porventura, desnudas e que podem, pela ação dos ventos, gerar poeira. Nesta época do ano, as ações são ainda mais intensificadas, em função da possibilidade de ocorrerem ventos fortes. No dia de hoje [13/07], por exemplo, foram registrados ventos anormais, de quase 50Km/h, o que pode acarretar uma maior movimentação de particulado, apesar de todas as medidas preventivas tomadas pela Companhia. Outro ponto importante a ser observado é a presença de outras atividades, similares às nossas na região, que também contribuem com a geração da poeira”, explica a nota.
A Prefeitura de Congonhas, também foi procurada, mas não retornou até o fechamento desta matéria.