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Assembleia na segunda (12) vai definir rumos da greve em hospitais da Fhemig

Enfermeiros e trabalhadores administrativos dizem não ter sido notificados de decisão do TJMG ordenando suspensão da paralisação que começou quatro dias atrás

João XXIII é um dos hospitais da rede Fhemig

As lideranças da greve deflagrada por funcionários da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) afirmam não terem sido notificados da decisão judicial que determinou a suspensão do movimento. De braços cruzados desde o início desta semana, enfermeiros e funcionários administrativos das casas de saúde foram convocados para assembleia geral na segunda-feira (12), a fim de definir os rumos da paralisação.

Na quarta-feira (7), o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) atendeu a um pedido da Advocacia-Geral do Estado (AGE) e ainda determinou a aplicação de multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento da decisão que determinou o fim da greve. O movimento afeta unidades como os hospitais João XXIII, Alberto Cavalcanti e Júlia Kubitschek, em Belo Horizonte.

À Itatiaia, porém, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Rede Fhemig (Sindpros), Carlos Augusto Martins, garantiu que a entidade não tem conhecimento do teor do despacho judicial. Segundo ele, a reunião da próxima segunda-feira vai acontecer durante a tarde, na porta da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na Região Centro-Sul de BH.

“Faremos uma avaliação do movimento e discutiremos sobre a situação da judicialização do movimento”, disse.

Informações oficiais da Fhemig dão conta de que a rede assistencial mantida pela fundação possui 20 unidades espalhadas pela Região Metropolitana de BH e pelo interior mineiro. O quadro de funcionários tem mais de 13 mil profissionais — vale lembrar, contudo, que os médicos não compõem o movimento grevista.

Entenda a greve

O movimento foi convocado em protesto a resoluções publicadas pelo governo de Minas Gerais no início do ano. A avaliação das lideranças é que os textos “retiram direitos básicos dos trabalhadores, além de sucatear os serviços com o propósito de terceirizá-los”.

Segundo Carlos Augusto Martins, profissionais plantonistas podem ter suas jornadas de trabalho aumentadas sem que haja compensação financeira. Ele relata, ainda, problemas repassados aos pacientes.

“A resolução altera, por exemplo, o sistema de trabalho do laboratório de oncologia do Hospital Alberto Cavalcanti. O serviço, prestado à população durante os sete dias da semana, agora, passará a ser feito apenas nos cinco dias úteis. Os trabalhadores terão de mudar sua jornada para diarista — em vez de plantonista”, criticou.

Em nota enviada à imprensa, a Fhemig informou que mantém diálogo com os servidores e que o governo estadual faz estudos para definir providências relativas às solicitações, levando-se em consideração os limites estabelecidos pela lei.

A fundação encerra a nota afirmando que com relação à jornada de trabalho que os trabalhadores denunciam, segue os mesmos parâmetros das demais fundações e que, portanto, não há nenhum aumento na carga de trabalho.

Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.